

Sonhar tem limites? Uma idosa de 64 anos prova que não. Ela deu à luz, nessa terça-feira, em uma tradicional maternidade de Belo Horizonte. A gravidez foi considerada um desafio não só para os médicos e para a paciente, mas para a ciência.
Depois de realizar um check-up na saúde, a procuradora de Justiça de Itabira, na Região Central do Estado, Norma Maria de Oliveira, passou por uma fertilização in vitro. Os óvulos foram de uma doadora e os espermatozoides do companheiro de Norma. Para surpresa de todos os envolvidos no processo, a fecundação do embrião ocorreu logo na primeira tentativa.
Ana Letícia nasceu de cesariana, com 33 semanas de gestação. Um dos fatores que mais contribuiu para que tudo desse certo foi a saúde de Norma. A ginecologista e obstetra Rita Amaral, especialista em partos de risco, acompanhou toda a gravidez e comemora por ter feito parte desse sonho.
“Acho que agora a gente está fazendo igual a barreira do som: estamos quebrando a barreira dos 50. A medicina está evoluindo porque nós estamos para viver mais”, comemorou a médica.
Mulher de garra
Norma Maria de Oliveira, de 64 anos, se intitula uma mulher de garra. Ela teve que vencer o medo, o preconceito, as burocracias da lei para ter nos braços a tão sonhada filha. Depois de entrar para a fila de adoção e não obter respostas, ela não pensou duas vezes em procurar ajuda para engravidar. Viajou até a Índia, passou por alguns obstáculos e acabou voltando ao Brasil. A capital mineira seria mesmo o berço daquilo que mais desejava. Ao amamentar Ana Letícia pela primeira vez, ela conta que se sentiu a mulher mais feliz do mundo. “Foi o momento mais feliz da minha vida”, disse à reportagem.
“Existe muito preconceito. Inclusive o que me chamou a atenção foi o preconceito que as mulheres têm contra as outras que fazem esse tipo de procedimento com mais idade, ou seja, idosa”, lamentou Norma, que chegou a entrar na fila para adotar uma criança. “É muito difícil adotar. Tem toda uma burocracia. Mesmo assim pretendo adotar”, diz.

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