
A demência é uma condição em que ocorre o declínio da função cerebral e está diretamente ligada à perda da capacidade de executar tarefas do dia a dia. Uma estratégia de tratamento alternativo é a música, com benefícios importantes para quem é acometido com a doença, que vão desde a diminuição do estresse e melhoria da resistência em exercícios físicos, contribuindo com a manutenção da memória. Segundo uma pesquisa da Global Burden of Disease publicada no Lancet Public Health, até 2050 o número de brasileiros vivendo com demência deve aumentar 206%. Isso quer dizer que a quantidade de pessoas com a doença no país deve saltar de 1,8 milhões para 5,6 milhões.
Escutar músicas pode trazer à tona memórias importantes, além de facilitar a conexão com a própria identidade e com as emoções que as letras podem causar. “A música possui um poder de acolhimento que acalma, acomoda, emociona e exercita o cérebro. Nessa etapa da vida, em que muitos idosos não têm a presença frequente dos familiares, as canções têm um papel ainda mais importante de ajudar na socialização e na memória”, afirma Janaína Rosa, coordenadora técnica da Home Angels, maior rede de cuidadores supervisionados da América Latina.
Algumas pequenas mudanças na rotina podem agregar muito para a saúde mental dos idosos. Por isso, a coordenadora técnica recomenda que alguns minutos do dia sejam dedicados a essa prática. “É por meio da música que podemos nos emocionar e buscar boas lembranças. Então, separar um determinado momento do dia para que o idoso possa escolher o que quer ouvir e deixá-lo ter esse tempo de apreciação das letras só traz benefícios para sua saúde mental e até mesmo física, se esse momento incluir também a dança”, explica Janaína.
Os benefícios das canções são notáveis nos comportamentos dos idosos. Essa prática traz para eles a capacidade de expressar suas emoções com mais facilidade e isso é importante para que consigam lidar com os sentimentos que muitas vezes estão contidos. “Idosos com demência que têm contato com a música têm seus níveis de estresse diminuídos, mudam seu humor e passam a responder aos estímulos externos com mais serenidade”, afirma.

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