
De janeiro a setembro de 2024, Minas Gerais registrou 1.183 mortes por câncer de próstata, uma redução de 15% em comparação com o mesmo período de 2023, quando ocorreram 1.388 óbitos. Especialistas apontam que esse declínio está diretamente relacionado aos avanços nas tecnologias de diagnóstico e tratamento da doença, que é o segundo tipo de câncer mais comum entre a população masculina no Brasil.
A detecção precoce, possibilitada por exames mais eficientes como o PSA (antígeno prostático específico) e o ultrassom, tem contribuído para o aumento das chances de tratamento bem-sucedido. Além disso, as novas opções terapêuticas, como a cirurgia robótica, têm oferecido menos riscos e recuperação mais rápida, impactando positivamente os índices de mortalidade.
Erivaldo Carvalho, um aposentado de 74 anos de Belo Horizonte, exemplifica o sucesso dessas inovações. Após realizar um exame preventivo de rotina, ele foi diagnosticado com câncer de próstata em estágio inicial, sem apresentar sintomas. Optando pela cirurgia robótica, Erivaldo teve a próstata removida e, apenas 28 dias após o procedimento, já retomava suas atividades diárias com qualidade de vida.
De acordo com o urologista Leonardo Gomes, a queda na mortalidade não é apenas resultado da conscientização sobre a importância do diagnóstico precoce, mas também do aprimoramento das técnicas de tratamento. “Com a incorporação de novas tecnologias, como a robótica, podemos realizar cirurgias menos invasivas e mais precisas, o que minimiza os efeitos colaterais e acelera a recuperação”, afirma.
Estudos indicam que, globalmente, o número de casos de câncer de próstata deve continuar a crescer, com uma projeção de aumento de 107% até 2040. No entanto, o avanço nos tratamentos, especialmente nas fases iniciais, tem proporcionado um controle mais eficaz da doença. O urologista Fernando Marsicano destaca que, com a evolução dos tratamentos e a maior aceitação dos diagnósticos precoces, as perspectivas para os pacientes são cada vez mais positivas.
A campanha Novembro Azul, que alerta sobre o câncer de próstata, tem sido essencial na quebra de tabus sobre o exame de toque e outros exames preventivos. Muitos homens ainda resistem à consulta médica, mas a conscientização sobre a importância desses exames pode salvar vidas, como o caso de Erivaldo, que, sem sintomas, descobriu a doença a tempo de tratá-la de forma eficaz.
O diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações graves e a disseminação do câncer. A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) reforça a importância de homens a partir dos 45 anos se consultarem com urologistas regularmente, principalmente aqueles com histórico familiar de câncer de próstata. Além disso, a redução de fatores de risco, como a obesidade e o consumo excessivo de carne vermelha, também pode ajudar na prevenção da doença.

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