
Uma série de publicações em redes sociais e denúncias da oposição colocaram o vereador Ivson Gomes (PL) no centro de uma polêmica envolvendo o uso de recursos públicos. O parlamentar é acusado de utilizar um veículo oficial da Câmara Municipal de Sete Lagoas para fins estritamente políticos e particulares fora dos limites do município.
De acordo com as informações e registros que circulam em páginas locais, o vereador teria sido visto com o automóvel do Legislativo acompanhando uma caminhada liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira. O trajeto teria se iniciado na cidade de Paracatu (MG) e se estendido até Brasília (DF), com o intuito de participar de manifestações de cunho político-partidário.
Pressão e medidas legais
O caso ganhou repercussão após um vídeo publicado por Fernando Lacerda. Nas imagens, Lacerda afirma possuir provas documentais e registros de deslocamento que confirmariam a irregularidade. Ele garantiu que levará o caso aos órgãos de controle.
"Não vamos deixar passar. A população merece respeito e transparência. Acionaremos o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Câmara Municipal e o Ministério Público para que o parlamentar dê explicações formais", afirmou Lacerda.
Implicações jurídicas e risco de cassação
Caso as denúncias sejam comprovadas, a conduta de Ivson Gomes pode configurar improbidade administrativa. Segundo especialistas, o uso de bens públicos para finalidades ideológicas ou pessoais fere os princípios da legalidade, moralidade e impessoalidade, previstos no artigo 37 da Constituição Federal.
As sanções previstas em lei incluem:
Lei de Improbidade (8.429/92): multa civil, ressarcimento ao erário (combustível e desgaste do veículo) e suspensão de direitos políticos.
Lei Eleitoral (9.504/97): o artigo 73 proíbe explicitamente o uso de bens móveis da administração em benefício de candidatos ou partidos.
Regimento Interno: o parlamentar pode ainda responder por quebra de decoro, o que abre caminho para um processo de cassação de mandato.
Analistas políticos relembram que Sete Lagoas já possui precedentes rigorosos. O ex-vereador Ronaldo Canabrava, por exemplo, teve o mandato cassado em processo que se tornou referência regional sobre punições por irregularidades no exercício do cargo.
Outro lado
Até o fechamento desta reportagem, a Câmara Municipal de Sete Lagoas não havia emitido um posicionamento oficial sobre a conduta do vereador ou sobre a abertura de sindicância interna.
A reportagem também procurou a assessoria do vereador Ivson Gomes, mas ainda não obteve retorno. O espaço permanece aberto para que o parlamentar apresente sua versão dos fatos e esclareça a finalidade da viagem realizada com o veículo oficial.
Texto extraído do site: SeteLagoas.com.br
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