
Os professores das escolas particulares de Belo Horizonte e Região Metropolitana decidiram suspender a greve após quase uma semana de paralisação. A decisão foi tomada durante uma assembleia realizada na manhã desta terça-feira (22).
Apesar da suspensão do movimento, a categoria decidiu manter o estado de greve, o que permite uma nova paralisação caso as negociações não avancem.
Durante a assembleia, os professores analisaram as propostas apresentadas pelo Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinepe-MG) em uma audiência de conciliação realizada no Tribunal Regional do Trabalho (TRT).
Entre as mudanças propostas estavam a retirada da isonomia salarial entre professores e alterações na indenização prevista para situações de redução da carga horária. As duas propostas foram rejeitadas pelos docentes.
O Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro Minas) afirmou que a mobilização trouxe resultados importantes, principalmente após o TRT reconhecer a legitimidade da greve.
Como não houve acordo durante a audiência de conciliação, o caso deverá seguir para julgamento. A expectativa informada pelo sindicato é de que o dissídio coletivo seja analisado no início de novembro.
A presidente do Sinpro Minas, Valéria Morato, afirmou que os professores retornam às escolas enquanto aguardam a análise do caso pela Justiça do Trabalho.
Outro ponto de divergência entre as entidades é a atual Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). O Sinepe-MG defende a divisão do documento em duas convenções: uma destinada aos profissionais da educação básica e outra aos trabalhadores do ensino superior.
O Sinpro Minas afirma que algumas das mudanças apresentadas pelo sindicato patronal já haviam sido rejeitadas anteriormente pelos professores.
Com a suspensão da greve, as aulas nas escolas particulares afetadas pela paralisação devem ser retomadas nesta quarta-feira (23).
O movimento teve início na quinta-feira (17) e provocou a suspensão ou alteração das atividades em diferentes instituições de Belo Horizonte.
Entre as escolas que tiveram aulas suspensas estavam o Colégio Marista Padre Eustáquio, Colégio São Paulo e Colégio Batista Mineiro. Também foram registradas mudanças nas atividades de unidades do Colégio Santo Agostinho, Marista Dom Silvério, Colégio Buritis Agostiniano, Colégio Magnum Cidade Nova, Colégio Sagrado Coração de Jesus, Colégio Santo Tomás de Aquino, Bernoulli e Casa Viva.
Durante a paralisação, o Sinpro Minas informou ter recebido relatos de professores que afirmaram ter sofrido intimidações e assédio por parte de direções escolares para que deixassem o movimento.
O sindicato informou que notificou as instituições mencionadas e que pretendia encaminhar as denúncias ao Ministério Público do Trabalho (MPT).
O Sinepe-MG, por sua vez, afirmou que os efeitos da greve foram limitados. Segundo a entidade, menos de 1% das escolas particulares de Belo Horizonte teriam sido afetadas pela paralisação.
O sindicato patronal também questionou a mobilização e afirmou que a greve não representaria a posição de todos os profissionais da rede.
A entidade informou ainda que buscaria a Justiça para questionar a paralisação, alegando que o movimento não teria sido comunicado com a antecedência mínima de 72 horas prevista na legislação.
Com o fim da paralisação, os professores retornam às atividades, mas permanecem mobilizados enquanto aguardam o julgamento do dissídio coletivo e a continuidade das negociações entre as entidades que representam a categoria e as escolas particulares.
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