

A relevância do patrimônio paleontológico e espeleológico de Sete Lagoas ganha novos e decisivos capítulos com os avanços da pesquisa para o livro-reportagem “Os fósseis perdidos de Sete Lagoas”. Fruto de um trabalho investigativo conjunto entre o jornalista e escritor Caio Pacheco e o professor e escritor Eduardo Teixeira, a obra resgata o destino de acervos científicos, fósseis da megafauna e registros históricos ligados à formação das cavernas do carste mineiro.

A investigação conecta o relevo cárstico local — cujos paredões calcários têm origens que remontam ao Período Cambriano, há cerca de 500 milhões de anos — ao início da paleontologia no Brasil. A pesquisa reexamina o legado do naturalista dinamarquês Peter Wilhelm Lund, responsável por explorar as grutas da região no século XIX e enviar para a Dinamarca um colossal acervo científico.
A Gigantesca Coleção P.W. Lund em Copenhague
Segundo dados da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, a chamada Coleção P. W. Lund reúne um volume impressionante de achados: são mais de 100.000 ossos fósseis distribuídos em 14.000 lotes, além de mais de 2,000.000 de pequenos ossos provenientes de pelotas de regurgitação de corujas e cerca de 1.300 amostras de brecha ossífera.

Lund também enviou à Europa peles de aves, pequenos animais preservados em álcool, espécimes da flora, invertebrados e itens etnográficos. Hoje, o material fóssil permanece reunido como uma grande unidade no depósito do museu dinamarquês. Entre os itens, destacam-se as mais de 1.300 amostras de brecha acompanhadas por um catálogo no qual Lund atribuiu identificações às espécies. No entanto, o próprio registro é considerado incompleto pela ciência atual, já que muitos fragmentos permanecem ocultos no interior da rígida matriz de argila e calcário.
A Pista de 1939: Gruta da Pontinha e o Acervo de Ouro Preto
Um dos pontos centrais da nova fase da pesquisa de Pacheco e Teixeira envolve a expedição realizada entre 19 e 24 de julho de 1939 pela Sociedade Excursionista e Espeleológica (SEE). Relatórios da época identificam expressamente a cavidade explorada como “Lapa da Pontinha ou do Capão Grande” (também referida como Gruta do Campo Alegre), situada na Fazenda da Pontinha, em Sete Lagoas.
A investigação revelou que o Arquivo Permanente da Escola de Minas conserva documentos produzidos entre 1876 e 1969, abrindo a possibilidade real de localização do relatório original da expedição de 1939, contendo cadernetas de campo, fotografias e correspondências da época.
A Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) confirma que o material paleontológico recolhido na Gruta da Pontinha em 1939 foi inicialmente encaminhado ao Museu de Paleontologia do Museu de Ciência e Técnica e permanece sob a responsabilidade da instituição, atualmente alocado no setor de História Natural.
Registro Fotográfico Histórico
Entre as descobertas recentes da dupla de pesquisadores está a localização de uma fotografia histórica preservada no relatório anual da SEE de 2014, identificada como: “Crânio encontrado na Gruta da Pontinha ou do Campo Alegre, Sete Lagoas-MG (1939)”. O registro fotográfico comprova a relevância das peças retiradas do solo setelagoano e direcionadas a acervos institucionais.
Crânio pré-histórico descoberto na Lapa da Pontinha, na grande área verde onde hoje é a Embrapa Milho e Sorgo
"A reportagem atua como uma ponte fundamental entre a pesquisa acadêmica especializada e a comunidade, resgatando a memória do nosso patrimônio natural", destacam os autores, reforçando que o livro pretende não apenas reconstituir a trajetória dos fósseis, mas também alertar para a necessidade de preservação e valorização do patrimônio carstico e arqueológico da região.
Tradução do texto da Universidade de Copenhague por Henrique Loiola Teixeira
SETE LAGOAS Paulo Henrique, que estava desaparecido em Sete Lagoas, é encontrado
SETE LAGOAS Família procura por Paulo Henrique, desaparecido em Sete Lagoas
SETE LAGOAS Sete Lagoas terá terça-feira de calor e máxima prevista de 29°C Mín. 18° Máx. 29°



