
A utilização de recursos de tecnologia assistiva vem sendo adotada pelo Senac em Sete Lagoas como uma das estratégias para ampliar a acessibilidade e a participação de pessoas com deficiência na formação profissional. A iniciativa combina ferramentas tecnológicas, acompanhamento pedagógico e adaptações de acordo com as necessidades de cada estudante.
Dados citados na matéria apontam que o Brasil tem 17,2 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência. Desse total, 28,3% estão inseridas no mercado de trabalho, enquanto entre as pessoas sem deficiência o índice chega a 66,3%. O cenário reforça o desafio de ampliar o acesso à qualificação profissional e às oportunidades de emprego.
Em Sete Lagoas, um dos exemplos é o estudante João Vitor Alves Reis, de 21 anos, que tem cegueira total e cursa Técnico em Informática no Senac. Para acompanhar as atividades, ele utiliza ferramentas de acessibilidade, entre elas leitores de tela integrados ao sistema operacional e os Óculos Orcam, equipamento que auxilia na leitura de textos e no reconhecimento de elementos do ambiente.
Segundo João Vitor, os recursos aumentaram sua autonomia durante o curso e facilitaram a realização das atividades acadêmicas. As ferramentas também contribuem para seu aprendizado na área de programação e desenvolvimento de sistemas.
Acessibilidade combina tecnologia e acompanhamento
A política de acessibilidade do Senac, instituição integrante do Sistema Fecomércio MG, é desenvolvida desde 2013. Além dos recursos tecnológicos, a instituição mantém o Programa Acolha, que oferece suporte aos estudantes por meio de profissionais como psicólogos, assistentes sociais e analistas de inclusão.
Em Sete Lagoas, a psicóloga Jéssica Mattos explica que a utilização dos recursos é definida de acordo com as necessidades de cada aluno. A proposta é ampliar as possibilidades de aprendizagem e favorecer a participação dos estudantes nas atividades do curso.
De acordo com a profissional, quando as ferramentas de acessibilidade são disponibilizadas de forma adequada, elas contribuem para o desenvolvimento das habilidades e para a autonomia dos alunos.
Atendimento começa antes das aulas
O trabalho de inclusão começa ainda no momento da matrícula. Segundo a auxiliar educacional Laene Carvalho, cada estudante passa por uma entrevista inicial, utilizada para identificar suas necessidades e estabelecer um plano de estudos.
A partir dessas informações, são definidas estratégias e metas para acompanhar o desenvolvimento do aluno ao longo do curso.
Entre as medidas adotadas está o reconhecimento dos espaços da unidade. Nos primeiros dias de aula, estudantes que necessitam desse suporte podem participar de um tour pelo ambiente, além de serem apresentados aos colegas e professores. A iniciativa busca facilitar a adaptação e estimular a independência.
Dentro da sala de aula, as adaptações também podem envolver procedimentos simples, como a descrição verbal de pessoas, objetos, imagens e conteúdos apresentados em slides, além da utilização dos equipamentos de tecnologia assistiva.
Formação profissional e inclusão
Para o Senac, a combinação entre tecnologia, acompanhamento individualizado e preparação dos profissionais busca reduzir barreiras encontradas por pessoas com deficiência durante a formação.
A proposta é criar condições para que os estudantes tenham acesso ao conteúdo, participem das atividades e desenvolvam as competências necessárias para sua trajetória profissional.
Informações
Mais informações sobre as ações de acessibilidade e os cursos oferecidos pelo Senac podem ser obtidas pelo telefone 0800 724 44 40, de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h.
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