

A tecnologia e os recursos de acessibilidade têm ajudado a ampliar a autonomia de João Vitor Alves Reis, de 21 anos, morador de Sete Lagoas e estudante do Senac. Com cegueira total, ele encontrou na instituição uma estrutura de suporte para seguir sua formação na área de tecnologia e buscar o objetivo de se tornar programador.
João Vitor é aluno do curso Técnico em Informática e utiliza em sua rotina os Óculos OrCam, dispositivo que funciona como uma espécie de assistente de inteligência artificial acoplado à armação. O equipamento escaneia e faz a leitura instantânea de textos presentes em livros, apostilas e telas de computador, transformando as informações visuais em áudio.
Para o estudante, o uso da tecnologia tem contribuído diretamente para a realização das atividades e para o processo de aprendizagem.
“Com o sistema e a utilização dos óculos, consigo ter mais autonomia para realizar as atividades. Os recursos também facilitam o meu processo de aprendizagem e me ajudam no desenvolvimento e na programação de sistemas”, relata João Vitor.
A experiência do jovem ocorre em um contexto no qual a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho ainda apresenta desafios. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) citados pelo Senac, 28,3% das pessoas com deficiência estão inseridas no mercado de trabalho, enquanto entre as pessoas sem deficiência o índice de participação é de 66,3%.
Segundo a coordenação pedagógica do Senac, o processo de inclusão de estudantes com deficiência começa antes mesmo do primeiro dia de aula. A equipe realiza uma entrevista para identificar as necessidades específicas de cada aluno e, a partir desse levantamento, estabelece metas e estratégias de aprendizagem individualizadas para reduzir barreiras físicas e cognitivas.
No caso de João Vitor, além dos óculos inteligentes e dos leitores de tela instalados nos computadores, foram adotadas medidas de adaptação do espaço físico da unidade e estratégias pedagógicas utilizadas diariamente em sala de aula.
A auxiliar educacional Laene Carvalho explica que, nos primeiros dias, o estudante passa por uma ambientação na unidade para conhecer os diferentes espaços e as pessoas envolvidas em sua formação.
“Fazemos um tour por todo o espaço interno da instituição nos primeiros dias de aula e apresentamos o aluno a todos os envolvidos em seu processo escolar, como colegas de turma, docentes e demais prestadores de serviço. Assim, conseguimos fazer com que ele se torne mais independente em sua trajetória”, explica.
Durante as aulas, os professores também utilizam descrições verbais detalhadas de imagens, apresentações em slides e objetos utilizados nas explicações, permitindo que João Vitor tenha acesso ao conteúdo trabalhado com a turma.
A unidade conta ainda com o Programa Acolha, que disponibiliza uma rede formada por psicólogos, assistentes sociais e analistas de inclusão. O objetivo é oferecer suporte emocional e pedagógico aos estudantes durante o período de formação.
Para a psicóloga Jéssica Mattos, os recursos de acessibilidade contribuem para ampliar as possibilidades de aprendizagem e fortalecer a autonomia dos alunos.
“Os recursos de acessibilidade são importantes para ampliar as possibilidades de aprendizagem e favorecer a autonomia dos estudantes. Quando essas ferramentas estão disponíveis e são utilizadas de acordo com as necessidades de cada aluno, elas contribuem para que ele participe das atividades e desenvolva suas habilidades”, avalia.
Com a combinação entre tecnologia, adaptações no ambiente, estratégias pedagógicas e acompanhamento especializado, João Vitor segue sua formação no curso Técnico em Informática e avança na preparação para atuar profissionalmente na área de programação.
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