

Clubes do interior de Minas Gerais se manifestaram contra o patrocínio anunciado pelo governo estadual para Atlético, Cruzeiro e América, que juntos receberão R$ 32 milhões por meio de contratos de publicidade com empresas estatais.
Atlético e Cruzeiro receberão R$ 15 milhões cada, enquanto o América terá direito a R$ 2 milhões. Os valores estão previstos para janeiro de 2027 e envolvem a exposição das marcas da Cemig e da Codemig durante a temporada.
A reação foi formalizada por meio do “Manifesto do Futebol Mineiro”, divulgado por clubes como Athletic, Villa Nova, Betim e Itabirito. O documento questiona a concentração dos recursos nas equipes da capital e defende maior participação dos clubes de outras regiões do Estado.
O Democrata de Sete Lagoas também se manifestou nas redes sociais sobre o anúncio. Em uma publicação, o clube afirmou: “E os invisíveis que se explodam! Só servimos pra ajudar a pagar as contas através dos tributos e da conta de energia”.
No manifesto, os clubes afirmam que o futebol mineiro está presente nos 853 municípios do Estado e defendem que os investimentos não sejam concentrados apenas na capital.
As equipes destacam o papel do futebol do interior na formação de jovens atletas, na geração de empregos, na movimentação do comércio e na identidade das cidades. O documento também chama atenção para o futebol feminino e para a necessidade de investimentos nas categorias de base.
Entre as reivindicações está a realização de uma audiência com o governo de Minas e as estatais, com intermediação da Federação Mineira de Futebol (FMF).
Os clubes também defendem a inclusão de equipes dos Módulos I e II, da Segunda Divisão e do futebol feminino em eventuais programas de patrocínio, além da adoção de critérios objetivos e públicos para a distribuição dos recursos.
O acordo com Atlético, Cruzeiro e América foi anunciado após a proibição de publicidade e patrocínio de casas de apostas prevista em medida provisória editada pelo governo federal.
Os três clubes tinham empresas do setor como patrocinadoras principais. O Atlético mantinha parceria com a H2Bet, o Cruzeiro com a Betnacional e o América com a Betbra.
Antes da mudança, os valores dos contratos eram de aproximadamente R$ 60 milhões para o Atlético, R$ 43 milhões para o Cruzeiro e R$ 4 milhões para o América.
Como as empresas do governo estadual não podem patrocinar diretamente as equipes, os contratos envolvem as estatais Cemig e Codemig, que utilizarão recursos destinados à publicidade.
O governo de Minas também informou que discutiria possibilidades de patrocínio com Athletic, de São João del-Rei, e Uberlândia, equipes que também possuem contratos com empresas de apostas. Até o momento, não foram divulgados valores para esses possíveis acordos.
A manifestação dos clubes do interior coloca em debate a forma de distribuição dos recursos públicos destinados ao futebol e pede que eventuais investimentos alcancem equipes de diferentes divisões e regiões de Minas Gerais.
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