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UNIFEMM enfrenta nova crise com mobilização de professores, atrasos salariais e incertezas

Docentes discutem possibilidade de greve, enquanto alunos relatam falta de professores e problemas na estrutura; FEMM afirma que não há decisão de encerramento das atividades

05/10/2026 às 12h45 Atualizada em 05/10/2026 às 12h54
Por: Redação Fonte: SeteLagoas.com.br
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A crise financeira enfrentada pela Fundação Educacional Monsenhor Messias (FEMM), mantenedora do Centro Universitário UNIFEMM, voltou a aumentar a tensão entre professores, alunos e funcionários da instituição em Sete Lagoas.

Nos últimos dias, docentes da graduação iniciaram articulações para uma possível greve, enquanto estudantes relatam dificuldades no andamento das aulas, ausência de professores e problemas na estrutura do campus.

A situação ganhou novos contornos após uma reunião geral realizada em 1º de outubro, quando representantes da instituição apresentaram informações relacionadas ao cenário financeiro da mantenedora e aos desafios para o pagamento de salários e demais compromissos.

Professores discutem possibilidade de greve

Segundo informações, professores da graduação se reuniram com representantes do Sindicato dos Professores de Minas Gerais (Sinpro Minas).

Em 30 de setembro, foram iniciados os trâmites formais relacionados à possibilidade de deflagração de uma greve. A eventual paralisação está relacionada, entre outros fatores, aos atrasos nos pagamentos e à situação financeira da instituição.

A movimentação ocorre em meio a um cenário de incertezas que também afeta os estudantes, principalmente aqueles que relatam dificuldades para acompanhar disciplinas devido à ausência de professores.

Estudantes relatam atrasos salariais e problemas na estrutura

Relatos apontam que alguns professores estariam com mais de 22 meses de salários atrasados.

Além dos problemas relacionados aos pagamentos, estudantes também relatam dificuldades estruturais no campus. Entre as reclamações está a falta de itens básicos de higiene, como papel higiênico nos banheiros da instituição.

A situação tem provocado preocupação entre os acadêmicos, principalmente diante da falta de informações consideradas claras sobre os próximos passos da instituição.

Um aluno, que pediu para não ser identificado, afirmou ao portal estar preocupado com o futuro acadêmico e questionou a cobrança das mensalidades diante das dificuldades relatadas no funcionamento das aulas.

Outro ponto que tem gerado questionamentos é a manutenção de campanhas de divulgação e captação de novos alunos nas redes sociais enquanto, segundo os relatos recebidos pelo portal, a instituição enfrenta dificuldades para manter o funcionamento regular de algumas atividades acadêmicas.

Reunião apresenta cenário financeiro da FEMM

No dia 1º de outubro, professores e colaboradores de diferentes unidades participaram de uma reunião geral convocada pela direção. O encontro durou aproximadamente três horas e teve como um dos principais assuntos a situação financeira da FEMM, incluindo o passivo acumulado pela mantenedora e as dificuldades para manter os compromissos financeiros.

Segundo relatos de participantes, os valores apresentados durante a reunião estariam na casa das dezenas de milhões de reais.

Também circularam entre professores e funcionários informações sobre uma possível proximidade de um pedido de falência da mantenedora. A informação, entretanto, não foi confirmada oficialmente.

Em resposta ao SeteLagoas.com.br, a FEMM informou que o valor exato do passivo ainda está sendo apurado e acompanhado pelos órgãos competentes.

A instituição reconheceu a existência de “passivos relevantes”, especialmente relacionados a obrigações trabalhistas perante a Justiça do Trabalho e colaboradores ativos, mas afirmou que não considera adequado antecipar valores ou classificações específicas enquanto a situação estiver em apuração.

Crise financeira vem sendo acompanhada desde o início do ano

A atual situação é resultado de uma crise que vem sendo acompanhada ao longo de 2026.

Em janeiro, foi noticiado o descontentamento de estudantes após o anúncio da descontinuidade de cursos de graduação. Na época, a instituição informou que as medidas faziam parte de um processo de reestruturação financeira iniciado anteriormente e que contava com o aval do Ministério Público por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).

Em fevereiro, o UNIFEMM confirmou a elaboração de um plano de transição acadêmica para estudantes de Ciências Biológicas, após a decisão de encerramento do curso. A instituição informou que seriam oferecidas as disciplinas necessárias para possibilitar a conclusão da formação dos alunos afetados.

Já em abril, funcionários relataram atrasos salariais, dificuldades internas e falta de transparência na condução da crise. Na ocasião, a FEMM reconheceu a existência de dificuldades financeiras e informou que buscava alternativas para regularizar a situação, incluindo a possibilidade de venda de imóveis.

A instituição, entretanto, negou acusações de precarização acadêmica e afirmou que os cursos continuavam sendo avaliados positivamente pelo Ministério da Educação.

Greve em julho aumentou pressão sobre a instituição

Em julho, a crise ganhou um novo capítulo. Professores do Colégio UNIFEMM decidiram entrar em greve por tempo indeterminado após assembleia realizada no dia 6 daquele mês.

Entre as reivindicações estavam a regularização de salários, férias, 13º salário e depósitos de FGTS e INSS.

A paralisação foi acompanhada por um protesto realizado em frente à instituição, que reuniu professores, pais, alunos e apoiadores. Durante a manifestação, integrantes da comunidade escolar cobraram respostas da direção e uma solução para os problemas trabalhistas.

Poucos dias depois, em reunião realizada no dia 8 de julho, foi definido o afastamento do Conselho Curador e da Diretoria Executiva da FEMM dos atos de gestão direta da operação.

Também foi anunciada a contratação de um gestor profissional especializado, com autonomia administrativa e executiva, em um processo acompanhado pelo Ministério Público de Minas Gerais.

Na ocasião, o UNIFEMM afirmou que o principal problema estava concentrado no chamado “gargalo financeiro” e que a mudança de gestão tinha como objetivo alcançar o equilíbrio administrativo e financeiro sem prejudicar as atividades acadêmicas.

Negociação com a Fundação Dom Helder

Outro assunto que voltou ao centro das discussões foi a negociação envolvendo o Grupo Educacional Dom Helder.

Informações que circulavam anteriormente na comunidade acadêmica indicavam que o grupo poderia assumir o UNIFEMM. A FEMM confirmou que houve tratativas com a Fundação Dom Helder, mas esclareceu que, neste momento, foi formalizada uma cooperação técnica, destinada à assessoria institucional.

Em nota enviada ao SeteLagoas.com.br, a fundação informou que, após essa etapa inicial, está prevista para fevereiro de 2027 uma nova avaliação conjunta da situação. Eventuais desdobramentos futuros, inclusive quanto a formatos de cooperação mais amplos, poderão ser objeto de novas tratativas caso haja interesse recíproco das partes.

FEMM reconhece passivos e busca novas parcerias

A FEMM reconheceu a existência de “passivos relevantes”, especialmente relacionados a obrigações trabalhistas perante a Justiça do Trabalho e colaboradores ativos.

A mantenedora afirmou, entretanto, que não considera adequado antecipar valores ou classificações específicas do passivo, uma vez que a situação ainda está sendo apurada e acompanhada pelos órgãos competentes, incluindo o Ministério Público.

A FEMM também informou que está buscando novas parcerias com instituições de ensino de abrangência nacional para viabilizar a continuidade da operação acadêmica do UNIFEMM.

Segundo a instituição, não existe, até o momento, deliberação formal para o encerramento das atividades de qualquer unidade ou modalidade de ensino.

A administração afirma que mantém como prioridade a conclusão regular do atual semestre, preservando a regularidade acadêmica e documental dos estudantes.

Alunos cobram respostas sobre o futuro acadêmico

Diante do cenário, estudantes afirmam que estão cobrando respostas da instituição sobre o futuro das aulas e dos cursos.

Entre os questionamentos estão a possibilidade de paralisação das atividades, a situação dos professores, a continuidade das disciplinas e a necessidade ou não de transferência para outras faculdades.

Um aluno relatou que estudantes não sabem se terão aulas, se as atividades serão paralisadas ou se deverão procurar outra instituição para concluir a formação.

A principal preocupação dos estudantes é a garantia da continuidade das atividades acadêmicas e da conclusão dos cursos.

Entre professores e funcionários, a regularização dos pagamentos e a definição de medidas para a recuperação financeira da mantenedora estão entre os principais pontos de atenção.

Até o momento, não há confirmação oficial de encerramento das atividades do UNIFEMM nem de decretação de falência da instituição.

A FEMM afirma que trabalha na busca de alternativas para superar a crise financeira e assegurar a continuidade das atividades acadêmicas.

Em nota, a mantenedora afirmou ainda que as tratativas em andamento serão comunicadas à comunidade acadêmica à medida que forem consolidadas.

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