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​Fóssil de preguiça gigante de 541 quilos tem existência pesquisada em Sete Lagoas

Uma espécie de preguiça-gigante, cuja massa corporal foi estimada em cerca de 541 quilos, está no centro de uma investigação sobre o patrimônio paleontológico retirado das cavernas de Minas Gerais no século XIX.

07/10/2026 às 17h51
Por: Redação
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Reprodução artística do Catonyx cuvieri, espécime típica do Pleistoceno
Reprodução artística do Catonyx cuvieri, espécime típica do Pleistoceno

O espécime-tipo de Catonyx cuvieri, espécie extinta de preguiça terrestre, é proveniente da Lapa Grande de Genette, em Minas Gerais, segundo estudo científico publicado na revista Land, em 2023.  

​A informação integra a pesquisa do livro-reportagem “Os fósseis perdidos de Sete Lagoas”, de autoria do jornalista e escritor Caio Pacheco e do professor Eduardo Teixeira, que investigam o destino de fósseis encontrados pelo naturalista dinamarquês Peter Wilhelm Lund durante suas pesquisas em Minas Gerais.  


​O estudo científico estima a massa corporal de Catonyx cuvieri em aproximadamente 541 quilos, estimativa obtida a partir de quatro fêmures atribuídos à espécie. A espécie pertence ao grupo das grandes preguiças terrestres que habitaram a América do Sul durante o Pleistoceno.  
​A publicação também registra que Lund descreveu diversos gêneros e espécies a partir de fósseis encontrados em cavernas de Minas Gerais, especialmente na região de Lagoa Santa. Muitas dessas denominações foi posteriormente revista pelos pesquisadores, e alguns dos táxons descritos passaram a ser considerados sinônimos juniores de Catonyx cuvieri.  
​A pista que leva à Lapa Grande de Genette
​A identificação da Lapa Grande de Genette como localidade de origem do espécime-tipo de Catonyx cuvieri é uma das pistas mais importantes encontradas pelos autores.  
​Documentos históricos relacionados às expedições de Lund registram sua passagem pela Fazenda Genette, onde o naturalista visitou diferentes cavernas. Entre elas estava a Lapa Grande de Genette, descrita como uma cavidade muito grande, com diversas galerias laterais e restos de animais extintos.  
​A pesquisa busca agora estabelecer com precisão a localização dessa caverna e confrontar as descrições do século XIX com a geografia atual da região.  
​A antiga Fazenda Genette/Ginette é investigada em relação a uma área rural atualmente denominada Fazenda Gineta, próxima à BR-040, em Sete Lagoas. Entretanto, os autores mantêm a distinção entre a localização da propriedade e a identificação exata da boca da antiga Lapa Grande de Genette, que ainda está sendo investigada.  
​

De Megalonyx a Catonyx
​A investigação também esbarra em uma questão de nomenclatura científica.  
​Nos trabalhos de Lund, o animal aparece associado ao nome Megalonyx cuvieri. Estudos posteriores modificaram sua classificação, e a espécie é atualmente reconhecida como Catonyx cuvieri.  
​Essa mudança é fundamental para a pesquisa histórica. Documentos do século XIX e catálogos de museus podem utilizar nomes científicos diferentes para a mesma espécie ou para materiais posteriormente atribuídos a ela.  
​Por isso, a investigação cruza nomenclaturas históricas e atuais, além de números de inventário, localidades e coleções científicas.  
​A pista ZMUC 1668
​Entre os documentos examinados está o registro do ZMUC 1668, número associado na literatura paleontológica a um crânio parcial atribuído a Catonyx cuvieri proveniente da Lapa Grande de Genette.  
​O número é particularmente importante porque a sigla ZMUC identifica a antiga identificação de coleções zoológicas da Universidade de Copenhague, atualmente sob responsabilidade do Natural History Museum of Denmark.  

​O registro abre uma nova frente para a investigação: descobrir a correspondência atual desse número no acervo dinamarquês, quando ele ingressou na coleção e qual foi o caminho percorrido pelo fóssil desde a caverna em Minas Gerais até a Europa.

Portanto, ZMUC 1668 é o número de registro usado pelo Museu de História Natural da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, para identificar um determinado espécime fóssil em sua coleção científica. A sigla ZMUC corresponde ao Zoological Museum, University of Copenhagen (Museu Zoológico da Universidade de Copenhague). O número 1668 funciona como uma espécie de “RG” ou código de identificação do material, permitindo aos pesquisadores localizar, consultar e rastrear informações sobre aquele espécime na coleção.  
​A resposta pode estar em antigos catálogos, registros de coleção, correspondências científicas e documentos relacionados aos fósseis de Sete Lagoas

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