

Um fóssil de uma preguiça-gigante que teria pesado cerca de 541 quilos pode ajudar pesquisadores a descobrir onde ficava uma antiga caverna de Minas Gerais visitada pelo naturalista dinamarquês Peter Wilhelm Lund no século XIX.
O animal, conhecido atualmente como Catonyx cuvieri, vivia no chão e fazia parte da fauna de grandes mamíferos que habitou a América do Sul durante o Pleistoceno. A estimativa de peso foi feita a partir da análise de quatro ossos das pernas, chamados de fêmures.
A origem desse fóssil integra a pesquisa do livro-reportagem “Os fósseis perdidos de Sete Lagoas”, escrito pelo jornalista e escritor Caio Pacheco e pelo professor Eduardo Teixeira. O trabalho investiga o destino dos fósseis encontrados por Lund em Minas Gerais e posteriormente enviados para coleções científicas na Europa.
A pista da Lapa Grande de Genette
A literatura científica aponta que o fóssil usado como referência para a espécie Catonyx cuvieri teria vindo da Lapa Grande de Genette, em Minas Gerais.
Documentos relacionados às viagens de Peter Lund registram a passagem do naturalista pela Fazenda Genette, também encontrada em alguns registros com o nome Ginette. No local, Lund visitou várias cavernas e encontrou restos de animais extintos.
Uma dessas cavernas foi descrita como uma grande cavidade, com várias galerias e restos de animais pré-históricos. A antiga Fazenda Genette vem sendo associada pelos pesquisadores a uma área rural atualmente conhecida como Fazenda Gineta, próxima à BR-040, em Sete Lagoas.
A localização da fazenda, porém, não significa que a Lapa Grande de Genette tenha sido encontrada. A pesquisa ainda tenta determinar onde estaria a entrada da caverna, comparando documentos do século XIX, mapas antigos e características atuais da região.
Um mesmo animal, nomes diferentes
Outra dificuldade está nas mudanças na classificação científica. Nos trabalhos de Lund, o animal aparece relacionado ao nome Megalonyx cuvieri. Estudos posteriores modificaram sua classificação e o nome atualmente utilizado é Catonyx cuvieri.
Isso é importante porque um mesmo fóssil pode aparecer em documentos antigos e catálogos de museus com nomes científicos diferentes. Por isso, os pesquisadores precisam cruzar os nomes antigos e atuais com descrições, locais de origem e números de identificação das coleções.
O que é o ZMUC 1668?
Entre as pistas está o registro ZMUC 1668, associado na literatura científica a um crânio parcial de Catonyx cuvieri relacionado à Lapa Grande de Genette.
De forma simples, o ZMUC 1668 pode ser entendido como uma espécie de número de identificação do fóssil dentro de uma coleção científica.
A sigla ZMUC está relacionada às antigas coleções zoológicas da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, atualmente vinculadas ao Museu de História Natural da Dinamarca.
A partir desse registro, os pesquisadores tentam descobrir onde o exemplar está hoje, quando entrou na coleção dinamarquesa e qual caminho percorreu desde uma caverna de Minas Gerais até chegar à Europa.
Uma investigação com mais de 150 anos
É justamente esse percurso — da caverna mineira até as coleções científicas europeias — que a pesquisa de “Os fósseis perdidos de Sete Lagoas” tenta reconstruir.
Fósseis, documentos antigos, mapas, catálogos e registros deixados por Peter Lund podem ajudar a identificar as cavernas onde os animais foram encontrados e esclarecer o destino do material retirado de Minas Gerais no século XIX.
SETE LAGOAS Sete Lagoas sanciona lei que proíbe nomeação de condenados por crimes contra idosos
SETE LAGOAS Sete Lagoas tem aposta premiada na Lotofácil 3799
SETE LAGOAS Sete Lagoas terá calor de 31°C nesta quinta-feira, com aumento das nuvens à tarde Mín. 22° Máx. 31°



