

Quedas recorrentes, tonturas repentinas e lapsos de confusão mental costumam ser interpretados por familiares como consequências inevitáveis do envelhecimento. No entanto, especialistas alertam que esses quadros podem ser, na verdade, efeitos colaterais resultantes do uso combinado de diversos medicamentos diariamente.
A condição, chamada de polifarmácia, ocorre quando o paciente faz uso contínuo de cinco ou mais remédios. No Brasil, a prática atinge cerca de 18% da população idosa, segundo dados do Ministério da Saúde sobre o uso racional de medicamentos. Embora a combinação seja frequentemente necessária para o controle de doenças crônicas, ela amplia os riscos de interações químicas, reações adversas e duplicidades nas prescrições.
Com o passar dos anos, o organismo sofre alterações naturais no funcionamento do fígado e dos rins, o que modifica a forma como as substâncias são metabolizadas e eliminadas. De acordo com a médica geriatra Bárbara Correa, do surgimento de sintomas logo após a introdução de uma nova substância ou ajuste de dose deve ser investigado.
Uma das ocorrências mais comuns em consultórios é a hipotensão ortostática — a queda abrupta da pressão arterial quando a pessoa se levanta —, muitas vezes provocada pelo excesso ou ajuste inadequado de remédios para hipertensão. Esse fator é apontado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um dos principais desencadeadores de quedas em idosos.
O risco de complicações aumenta quando o paciente é acompanhado por múltiplos especialistas (como cardiologistas, ortopedistas e neurologistas) sem que haja uma comunicação integrada entre as receitas. A orientação dos profissionais é centralizar e revisar periodicamente toda a medicação.
Outro ponto crítico é a automedicação e a falsa sensação de segurança no consumo de produtos ditos "naturais".
"Um remédio aparentemente simples ou fitoterápico pode provocar sonolência, confusão, retenção urinária ou lesões de órgãos em um idoso que já faz uso de outros tratamentos", alerta a médica geriatra. Vitaminas, chás e suplementos também devem ser comunicados ao médico, pois podem interferir diretamente na eficácia de remédios contínuos.
Especialistas ressaltam que o objetivo da avaliação médica não é necessariamente reduzir a quantidade de comprimidos, mas sim garantir que cada tratamento continue seguro e ofereça mais benefícios do que riscos.
Para proteger a saúde dos idosos, a recomendação é manter sempre em mãos uma lista atualizada contendo todos os medicamentos, doses e horários para apresentar em qualquer consulta médica
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