

Perda crescente de confiança na economia, reduções seguidas e acentuadas nos níveis de emprego e renda e paralisação de atividades, especialmente do comércio de produtos não essenciais, em virtude do isolamento social e da quarentena.
Ontem, tais efeitos da pandemia da Covid-19 sobre a economia do país ganharam mais um indicador: a procura dos brasileiros por crédito, segundo pesquisa da Serasa Experian, recuou 25,7% em abril, em relação ao mesmo mês de 2019, registrando o maior tombo nos 12 anos de existência do levantamento.
De acordo com o economista da Serasa Experian Luiz Rabi, o atual cenário econômico desencorajou a ampliação do consumo via crédito e a tomada de empréstimos para formação de patrimônio. “Neste momento, permeado por incertezas e queda da renda, o consumidor priorizou gastos de primeira necessidade, feitos geralmente à vista ou com crédito pré-aprovado, em vez de endividar-se para médio ou longo prazo”, disse.
“Dessa forma, setores que contribuem fortemente para a demanda por crédito, como o imobiliário e o automotivo, foram menos procurados, o que explica a retração recorde do indicador”, completou Rabi.
Conforme o estudo, as regiões Centro-Oeste e Nordeste foram as que demonstraram a menor busca por crédito, com -32,2% e -32,9% respectivamente, na comparação entre abril de 2020 e o mesmo mês de 2019. Em seguida, vieram o Norte (-24,2%), acompanhado do Sudeste (-22,9%) e do Sul (22,2%).
Já em relação às faixas de renda de consumidores, quem recebe até R$ 500 mensais registrou a menor demanda por crédito (-27,5%). Sobre aqueles que recebem entre R$ 500 e R$ 1.000 observou-se a maior baixa também 12 anos, desde o início da série histórica do índice, com - 26,4%. Mas a busca de empréstimos e financiamentos para compras também teve queda significativa entre os donos de rendas maiores: ficou em torno de 25% para as faixas acima de R$ 2 mil mensais.
Para o economista Felipe Leroy, do Ibmec, o fato de a procura por recursos para aquisição de bens e serviços ter atingido todas as camadas é apenas mais um reflexo dos estragos generalizados da pandemia.
“A demanda por crédito é reduzida porque, por um lado, muitos brasileiros estão com o nome sujo e não teriam acesso. Por outro, quem tem nome limpo e facilidade de crédito não o demanda pela insegurança quanto à economia e à própria permanência no emprego”, afirmou.
“De qualquer forma, os números acabam, infelizmente, convergindo para projeções de um enorme encolhimento da economia”, acrescentou Leroy, lembrando que o Produto Interno Bruto do Brasil deve superar os 5% de queda neste ano. “Entre 2014 e 2015, o PIB caiu 3,5% e ficamos estarrecidos. Imagine agora, com essa crise, que é a pior já enfrentada não apenas por nós, mas por todo o mundo?”.
Nos bancos, negociações de contratos em dia beiram R$ 1 tri
Se a busca dos consumidores por financiamentos e empréstimos na aquisição de bens e serviços a médio e longo prazos despencou, em razão da insegurança do ambiente econômico, por outro lado dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), divulgados também ontem, revelam que já chegam a quase R$ 1 trilhão (R$ 914,2 bilhões) as concessões de crédito das instituições financeiras durante a pandemia – entre 1º de março e 22 de maio deste ano.
Segundo a federação, nesse período os bancos negociaram 9,7 milhões de contratos – todos com operações em dia –-, com saldo devedor de R$ 550,1 bilhões. A soma das parcelas suspensas dessas operações repactuadas totalizou R$ 61,5 bilhões. Empresas e consumidores passaram a ter carência entre 60 a 180 dias para pagar suas prestações. A maioria dos agentes beneficiados com prorrogação de parcelas, informa a Febraban, é representada por pequenas empresas e pessoas físicas (R$ 33,1 bilhões).
Ainda de acordo com a Febraban, a taxa de juros para o conjunto das operações de crédito recuou de 23,1% para 21,5% ao ano. E o spread médio (diferença entre taxa de captação e a cobrada dos clientes) caiu de 18,6% para 17,2%
Para o economista Felipe Leroy, professor do Ibmec, os resultados anunciados pela Febraban são importantes. Mas estão aquém do que seria necessário para mitigar os danos crescentes verificados país em meio à pandemia. O mesmo raciocínio vale para medidas do governo federal, como a criação de crédito especial para empresas e concessão de auxílio emergencial para pessoas de baixa renda. “O ideal seria que o governo desse isenções fiscais, subsídios e crédito ao setor produtivo e ampliasse sua capacidade de gastar para alavancar a economia. O problema é que, sem um ambiente para reformas neste momento e com a maior dívida pública da história, ele não tem como fazer isso”, acrescentou.


Sete Lagoas Segunda parcela do 13º salário será antecipada em 2026
Sete Lagoas Prazo para renegociação de dívidas de trabalhadores informais é prorrogado até 26 de outubro
Sete Lagoas Termina neste domingo (31) o prazo para a entrega da Declaração Anual Simplificada do Microempreendedor Individual (DASN-Simei), referente ao ano-calendário de 2025. Mín. 20° Máx. 33°



