Enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1,2% no primeiro trimestre deste ano, voltando ao patamar anterior à pandemia, as famílias brasileiras ainda sofrem o impacto da crise econômica. De acordo com estudo divulgado nesta quarta-feira pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), três em cada dez domicílios brasileiros viviam sem nenhuma renda através do trabalho.
São famílias que buscam alternativas no mercado informal e dependem, muitas vezes, da solidariedade e dos auxílios governamentais. Uma situação que piorou ao longo da pandemia – no primeiro trimestre de 2020, os domicílios sem renda correspondiam a 25% do total, de acordo com o Ipea, que avaliou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua). Hoje, correspondem a 29%.
Lorrayne de Paula, de 23 anos, é um exemplo do problema vivenciado por muitos brasileiros. Em setembro do ano passado, foi demitida do restaurante em que trabalhava e não voltou mais ao mercado formal. Hoje depende da ajuda da mãe e conta a cesta básica doada pela Prefeitura de Belo Horizonte para alimentar as duas filhas pequenas.
“Cancelaram o meu auxílio emergencial e nunca soube o porquê. Ainda bem que a minha filha é matriculada na rede municipal e posso receber a cesta básica para alimentar a família. Para mulher com filhos pequenos é muito mais difícil voltar a trabalhar”, conta Lorrayne.
No primeiro trimestre deste ano, a taxa de desemprego estava em 14,7%, segundo o IBGE. De acordo com o professor João Prates Romero, da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG, as famílias de baixa renda continuam sendo as mais impactadas pela falta de postos de trabalho por conta da baixa qualificação.
“A construção civil, por exemplo, tende a empregar uma parcela maior de trabalhadores de baixa qualificação. Mas é um setor bastante impactado desde 2014 e ainda não conseguiu se recuperar totalmente. E indústria, comércio e serviços ainda não voltaram ao patamar anterior à pandemia”, diz o professor.
Romero explica que o atual crescimento do PIB se dá especialmente pela exportação de commodities, como minério de ferro e soja, que são negócios que rendem pouca distribuição de recursos na sociedade. “Estamos vivendo um crescimento mais concentrador, que movimenta pouco a economia. São setores que proporcionam uma concentração regional, movimentando apenas a região onde estão inseridos, e tendem a empregar pouco”.
CLASSE MÉDIA TAMBÉM É IMPACTADA
A classe média também continua sendo bastante impactada pela pandemia. Especialmente entre aqueles profissionais ligados a setores de turismo, festas e eventos, que não puderam retomar as atividades em 15 meses de pandemia. Somente o setor de turismo perdeu R$ 340 bilhões desde março de 2020, segundo levantamento da Confederação Nacional de Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Giselle ribeiro Martins, de 39 anos, está nesse grupo. Antes da pandemia, ela e o marido trabalhavam com decoração de festas, atendendo especialmente a buffets. “Eu atendia a 15 clientes por fim de semana. Esse número caiu para zero”, relata.
Ela vendeu os dois carros de carga que tinha, todo o estoque de produtos de festa e vem atendendo a clientes com pequenas festas em casa, mas sem saber quando poderá voltar a ter a renda de antes. “Quem trabalha com festa perdeu tudo”.
A família da advogada Camilla Müller, de 40 anos, também não conta mais com uma renda formal. Os boletos da casa são pagos com a venda de empadão feito pelo marido e por um brechó virtual. O casal decidiu ainda alugar um quarto no fundo da casa para levantar recursos.
Mesmo com os problemas, Camilla encontrou tempo e forças para se dedicar a um projeto de cozinha solidária, levando alimento a pessoas em situação de rua. “Se está ruim para mim, que tenho curso superior, imagina para quem não tem formação. Então, passei a me ver como privilegiada, mesmo sem saber se vou conseguir pagar a conta de luz”.


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