
O ex-deputado federal Alexandre Ramagem foi preso nos Estados Unidos pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE). A informação foi confirmada pela Polícia Federal, que já está em contato com as autoridades norte-americanas para dar andamento aos trâmites.
A prisão ocorreu em Orlando, na Flórida, onde Ramagem foi abordado enquanto caminhava na rua e levado para um centro de detenção. Segundo as autoridades, ele estava em situação migratória irregular.
Ramagem é considerado foragido da Justiça brasileira desde que deixou o país antes do fim de seu julgamento no Supremo Tribunal Federal. Ele foi condenado a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e é apontado como integrante do núcleo central de uma trama que buscava manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder.
De acordo com investigações da Polícia Federal, o ex-deputado fugiu do Brasil de forma clandestina em setembro de 2025, atravessando a fronteira de Roraima com a Guiana, antes de seguir para os Estados Unidos.
Em janeiro de 2026, o Ministério da Justiça já havia formalizado o pedido de extradição ao governo norte-americano. A documentação foi enviada pela Embaixada do Brasil em Washington ao Departamento de Estado dos EUA ainda em dezembro de 2025.
A inclusão do nome de Ramagem na lista da Interpol, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, foi fundamental para possibilitar sua localização e prisão fora do país.
Antes de ser preso, aliados afirmavam que Ramagem pretendia solicitar asilo político nos Estados Unidos. Enquanto esteve fora do Brasil, ele sofreu uma série de sanções, incluindo a cassação do mandato de deputado federal, cancelamento do passaporte diplomático e bloqueio de vencimentos parlamentares.
Ramagem é delegado da Polícia Federal desde 2005 e ganhou notoriedade ao chefiar a segurança de Jair Bolsonaro após o atentado de 2018. Posteriormente, assumiu o comando da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), onde sua gestão passou a ser investigada por suposto uso irregular da estrutura do órgão no caso conhecido como “Abin Paralela”.
Em 2020, chegou a ser indicado para assumir a direção-geral da Polícia Federal, mas a nomeação foi barrada pelo STF. Em 2022, foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro e, em 2024, disputou a Prefeitura do Rio, ficando em segundo lugar.
Agora, as autoridades brasileiras aguardam a definição do governo dos Estados Unidos sobre a extradição ou deportação do ex-parlamentar. O caso segue em andamento.
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