
Um imóvel localizado na Rua Floriano Peixoto, no Centro de Sete Lagoas, se tornou alvo de uma disputa de posse que terminou em invasão e mobilização policial no último sábado (4).
O prédio, utilizado como setor administrativo do Conselho Central Santa Paulina, ligado à Sociedade de São Vicente de Paulo (SSVP), foi ocupado por cerca de 30 pessoas que alegam que o imóvel pertence à União Colegial de Sete Lagoas.
Segundo informações registradas no local, o grupo teria arrombado a porta principal para entrar no imóvel. A Polícia Militar foi acionada e passou a acompanhar a situação para garantir a segurança e evitar novos conflitos.
A atual gestão do Conselho Central Santa Paulina afirma que ocupa o espaço desde 2004 de forma pacífica, pública e contínua. Segundo a entidade, o prédio estava abandonado antes de ser revitalizado para receber atividades sociais e administrativas.
A entidade também informou que já existe uma ação de usucapião em andamento na Justiça para regularizar a posse do imóvel.
Já o grupo que realizou a ocupação afirma que o imóvel pertence legalmente à União Colegial de Sete Lagoas. Um representante da associação apresentou documentação indicando que o registro do prédio estaria vinculado à entidade estudantil.
Segundo integrantes do movimento, o acesso ao local teria sido motivado após a troca das fechaduras do imóvel, o que teria impedido a entrada de membros da associação.
O impasse ganhou novos capítulos após um homem que se apresentou como presidente da União Colegial afirmar que o espaço havia sido cedido verbalmente há cerca de 15 anos ao antigo presidente da instituição vicentina, com a condição de que o imóvel continuasse sendo compartilhado com outras associações.
Segundo ele, após mudanças na diretoria da entidade filantrópica, o compartilhamento teria deixado de acontecer, motivando a atual disputa.
A movimentação mobilizou equipes da Polícia Militar, advogados das duas partes e até o Conselho Tutelar, devido à presença de crianças e adolescentes no local.
Ao longo do dia, alguns participantes deixaram o imóvel voluntariamente. Segundo relatos feitos à PM, algumas pessoas disseram não saber exatamente o motivo da ocupação e afirmaram ter sido convidadas apenas sob promessa de alimentação.
Até o momento, a Polícia Militar permanece acompanhando a situação e reforçou que cabe exclusivamente ao Poder Judiciário decidir sobre a posse e titularidade do imóvel.
Veja trecho da nota divulgada pelo Conselho Central Santa Paulina:
“É importante esclarecer que o Conselho Central Santa Paulina da Sociedade de São Vicente de Paulo ocupa e utiliza este imóvel desde o ano de 2004, após solicitação feita junto ao Poder Público, tendo sido autorizado o uso do espaço para o desenvolvimento de suas atividades institucionais. Antes da entrada da Sociedade de São Vicente de Paulo no local, o imóvel encontrava-se em completo estado de abandono, sem portas, sem janelas, em processo de deterioração, sendo utilizado inclusive como abrigo por usuários de drogas.”
A entidade também afirmou na nota que o imóvel passou a ter finalidade social após a ocupação da instituição vicentina e informou que houve danos ao patrimônio durante a invasão.
“Diante disso, repudiamos qualquer forma de invasão, depredação, intimidação ou tentativa de tomada do imóvel por meios que não sejam os legalmente reconhecidos”, declarou a presidente do Conselho Central Santa Paulina, Ione Maria Carlos Vieira.
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