
O Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro Minas) divulgou, nesta terça-feira (28), uma nota em resposta ao comunicado do Colégio Unifemm e da Fundação Educacional Monsenhor Messias (FEMM) sobre a suspensão das atividades da escola por tempo indeterminado.
No posicionamento, o sindicato contesta a versão apresentada pela instituição e afirma que os professores não são responsáveis pela paralisação. Para a entidade, a interrupção das aulas é consequência dos atrasos salariais e do descumprimento de obrigações trabalhistas acumulados ao longo dos últimos anos.
O Colégio Unifemm havia informado que a suspensão foi motivada pelas dificuldades financeiras enfrentadas pela instituição e pela greve dos professores, que reivindicam o pagamento dos salários atrasados.
Segundo a administração, a regularização dos débitos depende da conclusão da venda de glebas pertencentes à FEMM. A negociação permitiria a entrada de recursos para quitar os compromissos pendentes.
A instituição também afirmou que solicitou um prazo para realizar os pagamentos, mas que o pedido não foi aceito pela categoria representada pelo sindicato. Sem professores em sala de aula e diante da impossibilidade de efetuar o pagamento imediato, a administração decidiu interromper as atividades até segunda ordem.
Em resposta, o Sinpro Minas afirma que os problemas salariais começaram em 2022, quando a própria administração teria proposto o parcelamento dos valores em atraso. De acordo com a entidade, parte do acordo foi cumprida, mas o restante permaneceu pendente.
O sindicato relata que, entre fevereiro e julho de 2025, nenhum salário teria sido pago. Em agosto, os professores teriam recebido apenas uma parte do valor devido, sem a entrega de holerites que permitissem a conferência dos cálculos.
Entre setembro e dezembro de 2025, conforme a nota, os pagamentos teriam correspondido a aproximadamente 20% dos salários. Já em 2026, os profissionais não teriam recebido nenhum pagamento, com exceção dos professores contratados neste ano, que teriam recebido entre 20% e 30% da remuneração.
Segundo o Sinpro, cada professor acumula atualmente o equivalente a 13,8 salários em atraso, o que representa mais de um ano de trabalho sem pagamento integral.
A entidade também aponta pendências relacionadas aos décimos terceiros salários de 2019, 2020, 2022, 2023, 2024 e 2025, além de férias e do terço constitucional referentes aos anos de 2023, 2024, 2025 e 2026.
O sindicato menciona ainda a falta de recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O Sinpro Minas afirma que a categoria não se recusou a negociar e teria apresentado uma condição para encerrar a greve: o pagamento de três dos 13,8 salários atrasados.
Segundo o sindicato, a proposta representava uma tentativa de permitir que a administração reorganizasse a situação financeira da instituição. No entanto, a direção não teria garantido o pagamento nem mesmo de um salário.
Diante disso, a entidade sustenta que a paralisação não foi provocada por uma recusa dos professores ao diálogo, mas pela ausência de uma garantia concreta de pagamento.
Na nota, o sindicato relata que a falta de pagamento tem provocado consequências graves na vida financeira dos trabalhadores.
De acordo com a entidade, há professores que utilizaram todas as reservas financeiras acumuladas ao longo dos anos, profissionais enfrentando ações de despejo por não conseguirem pagar o aluguel e casos de docentes sob risco de prisão por dívidas relacionadas à pensão alimentícia.
O Sinpro também afirma que os professores continuaram contribuindo para os resultados acadêmicos alcançados pelo Unifemm, mesmo diante dos atrasos. Entre os resultados citados está o desempenho da escola no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Com a suspensão das atividades, o Colégio Unifemm informou que está orientando pais e responsáveis para viabilizar a transferência dos alunos para escolas das redes privada ou pública, conforme a necessidade e a escolha de cada família.
A administração destacou que a medida atinge exclusivamente o Colégio Unifemm. Os cursos de graduação e pós-graduação da instituição continuam funcionando normalmente, sem alterações nas atividades acadêmicas.
O Unifemm também informou que trabalha com a possibilidade de retomar as atividades do colégio em 2027, por meio de um novo modelo de funcionamento. A eventual reabertura dependerá, no entanto, das condições financeiras, administrativas e operacionais da instituição, sem previsão de data para o retorno.
O Sinpro Minas informou que seguirá a decisão tomada em assembleia pelos professores e manterá a greve até que seja apresentada uma proposta considerada minimamente concreta para a regularização dos salários.
O sindicato reforçou que não aceitará a normalização da situação enquanto a dívida equivalente a mais de um ano de salários continuar sem garantia de pagamento.
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