
Fortalecer a cidadania, melhorar a qualidade de vida das famílias e criar oportunidades para moradores das comunidades rurais estão entre os principais objetivos da Associação Comunitária dos Moradores de Inhaúma. Sem fins econômicos, a entidade vem desenvolvendo ações voltadas principalmente para a agricultura familiar, artesanato, abastecimento de água, energia elétrica e saneamento básico rural.
De acordo com o presidente da associação, Paulo Fernandes Cardoso, uma das principais conquistas recentes foi a captação de recursos para ampliar o acesso à água nas comunidades. A entidade conseguiu levantar R$ 100 mil para investimentos no setor e viabilizou a perfuração de um poço artesiano na comunidade de Riacho da Areia, com vazão de aproximadamente 40 mil litros por hora.
Na comunidade de Maias, a vazão registrada é de cerca de 7 mil litros por hora. Segundo Paulo, considerando a estrutura existente e o funcionamento das bombas durante aproximadamente oito horas por dia, a associação conseguiu ampliar a capacidade geral de captação de água para cerca de 52 mil litros por hora.
Rede de energia
Outro projeto em andamento é a extensão da rede de energia elétrica para a comunidade de Riacho da Areia. O investimento previsto é de R$ 400 mil, com expectativa de beneficiar centenas de moradores.
A obra será realizada por meio de uma parceria em que a Cemig deverá participar com 50% dos recursos, enquanto a outra metade será de responsabilidade da associação.
Para Paulo Fernandes, a melhoria da infraestrutura é fundamental para garantir melhores condições de vida e ampliar as possibilidades de desenvolvimento das comunidades rurais.
Cooperativa para fortalecer pequenos produtores
Entre os próximos objetivos da associação está a criação de uma cooperativa voltada aos pequenos produtores rurais e à agricultura familiar. A proposta é oferecer suporte para que os agricultores consigam produzir, organizar e comercializar seus produtos.
Um dos principais caminhos apontados pela entidade é o fornecimento para a alimentação escolar por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
“A legislação federal determina que 30% da alimentação escolar seja adquirida da agricultura familiar. Portanto, a cooperativa dará suporte a essas pessoas que produzem e não têm como escoar a sua produção”, explicou Paulo.
A iniciativa pretende enfrentar justamente uma das dificuldades encontradas pelos pequenos produtores: a falta de estrutura para comercializar a produção e alcançar mercados maiores.
Artesanato e valorização das mulheres
Outra frente de atuação será o incentivo ao artesanato produzido nas comunidades. A associação pretende oferecer apoio para grupos que desejem produzir e ampliar suas atividades, com atenção especial às mulheres.
A ideia é criar condições para aumentar a produção e, ao mesmo tempo, recuperar manifestações culturais tradicionais do município.
“Queremos devolver a Inhaúma sua cultura tradicional”, afirmou Paulo Fernandes.
Saneamento rural com biodigestores
A associação também pretende desenvolver um projeto de saneamento básico rural destinado principalmente às comunidades de baixa renda.
A proposta prevê a utilização de biodigestores como alternativa para o tratamento adequado dos resíduos e do esgoto produzidos nas propriedades rurais. Segundo a entidade, a iniciativa busca reduzir a contaminação do solo e proteger nascentes e recursos hídricos.
O projeto também tem como objetivo contribuir para a preservação ambiental e para a melhoria das condições sanitárias das famílias atendidas.
Associação busca cessão de escola desativada
Para colocar em prática os projetos e ampliar as atividades, a Associação Comunitária dos Moradores de Inhaúma solicitou à Prefeitura a cessão da Escola Municipal Jairo Izidoro, atualmente desativada.
A entidade pretende utilizar o espaço como uma estrutura de apoio para o desenvolvimento dos projetos comunitários. Para isso, também espera contar com o apoio da Câmara Municipal de Inhaúma na aprovação da cessão de uso do imóvel.
Segundo Paulo Fernandes, a associação pretende concentrar esforços principalmente nas pessoas que enfrentam maiores dificuldades e que, muitas vezes, não encontram espaço para apresentar suas demandas.
“A associação está ativa para trabalhar para as pessoas mais vulneráveis, para os esquecidos. A instituição está aí para isso: para dar voz a quem não tem”, destacou.
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