

O incêndio de um ônibus do transporte coletivo na noite de quinta-feira (15), no bairro Belo Vale, em Sete Lagoas, teria sido uma reação à morte de um jovem de 18 anos durante uma operação das forças de segurança realizada horas antes na cidade.
A suspeita surgiu durante as diligências após o ataque e ganhou força depois que um adolescente de 14 anos foi apreendido e teria relacionado a ação à morte de um amigo. A investigação também apura a possível participação de um homem que se apresenta como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC).
O ataque aconteceu na Rua Hermínio Pérez Furleti, próximo ao cruzamento com a Rua Geraldo Israel de Castro. O coletivo da linha Belo Vale/Shopping transportava oito passageiros quando foi interceptado.
Segundo o relato do motorista, o grupo ficou à frente do ônibus para impedir a passagem e começou a jogar pedras contra o veículo. Um homem armado teria ordenado que as portas fossem abertas e que todos descessem.
Ainda conforme o relato, o suspeito efetuou disparos para o alto enquanto outros integrantes jogavam combustível nos corredores e bancos do coletivo. Em seguida, o grupo ateou fogo ao ônibus.
O Corpo de Bombeiros foi acionado e utilizou cerca de 3,5 mil litros de água no combate às chamas. O veículo ficou completamente destruído.
O fogo também atingiu um poste e provocou danos na rede elétrica. Cerca de 44 clientes ficaram sem energia na região. Ninguém ficou ferido, e a perícia da Polícia Civil esteve no local.
Durante as diligências, um adolescente de 14 anos foi localizado correndo pelas proximidades. Conforme as informações registradas na ocorrência, ele teria admitido participação no incêndio e afirmado que agiu por causa da morte de um “amigo de infância”, de 18 anos.
O jovem havia sido alvo de uma operação no bairro Bernardo Valadares e morreu após ser baleado durante a intervenção. O caso foi divulgado anteriormente.
O adolescente teria dito ainda que participou do ataque junto com outro indivíduo, mas não revelou a identidade do segundo envolvido. Dois celulares foram apreendidos e o menor foi encaminhado à delegacia.
As autoridades também investigam quem teria planejado e determinado o incêndio. Informações levantadas durante as diligências apontam que o possível mandante seria um homem que se apresenta como integrante do PCC.
Também foram identificadas publicações em redes sociais com mensagens de revolta após a morte do jovem. Em uma delas, aparece a frase: “Polícia covarde, isso não vai ficar assim”.
Os celulares apreendidos poderão ser analisados para ajudar na identificação de outros envolvidos e esclarecer se houve uma organização prévia para o ataque.
A investigação deverá apontar a participação de cada suspeito e confirmar ou não a relação entre a morte do jovem e o incêndio do ônibus.
Após o incêndio, ônibus que atendem aos bairros Belo Vale, São João, Bernardo Valadares e Jardim Europa passaram a circular com escolta durante a noite.
A medida foi adotada para reforçar a segurança de passageiros e trabalhadores do transporte coletivo enquanto as investigações sobre o ataque continuam.
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