
À revelia do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa, que mantém em suspense a decisão de disputar ou não a Presidência da República, o PSB começou a montar uma estrutura de campanha e a procurar partidos para compor a chapa presidencial. Os dirigentes pessebistas avaliam que é necessário antecipar a organização da legenda mesmo sem o aval do ex-ministro.
Não é a primeira vez que o PSB pressiona o ex-ministro. Em abril, a bancada da legenda na Câmara divulgou manifesto público cobrando do ex-ministro contribuição para que a sigla possa "revigorar" projeto eleitoral apresentado em 2014, quando o PSB teve candidatura própria ao Palácio do Planalto.
O novo movimento do PSB foi tomado pelo presidente da legenda, Carlos Siqueira, após lideranças e governadores do PSB reclamarem que o ex-magistrado não está movimentando para se consolidar como candidato, apesar de ter de 8 a 9% das intenções de voto segundo a última pesquisa Datafolha.
Para essa primeira fase, a legenda está contratando pelo menos dois assessores: um de imprensa e outro para auxiliá-lo em trabalhos gerais. "Ele, como futuro candidato, precisa ter gente exclusivamente voltada para a candidatura dele. Se o partido tem um candidato, tem que ajudar a organizar a vida do cidadão", disse Siqueira. O partido também conversou com Diego Brandy, marqueteiro argentino e especialista em pesquisas que trabalhou com ex-governador Eduardo Campos na campanha de 2014. Após a morte de Campos em um acidente aéreo, Brandy cuidou da campanha de Marina Silva, que na época assumiu candidatura do PSB à Presidência.
O PSB avalia que a candidatura tem que estar lançada e minimamente organizada até meados de maio para que haja tempo de costurar alianças.
Mesmo antes da decisão de Barbosa, o PSB também começou a conversar com outras legendas. Nas últimas semanas, o presidente do partido se reuniu com dirigentes do PRP e do PRB, que lançou o empresário Flávio Rocha, dono das lojas Riachuelo, como presidenciável. Siqueira nega, porém, que tenham tratado de alianças. "Falamos sobre assuntos intrapartidários. Nos recusamos a falar de coligação antes do anúncio da candidatura", disse o dirigente pessebista.
Paralelamente à contratação dos assessores e às conversas com outras legendas, o PSB começou a estruturar o futuro plano de governo de Barbosa. Entre os economistas procurados está o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, ligado ao PSDB. Como mostrou o Estado em 26 de abril, Barbosa diz ser contra posições "ultraliberais" na economia.
Em conversas recentes, ele indicou que pretende conciliar a bandeira ética com a social. A ideia é tentar reforçar a imagem de juiz implacável com a corrupção - ele foi relator do mensalão do PT no STF - e, ao mesmo tempo, se apresentar na economia como um social-democrata, favorável ao livre mercado, mas com ênfase no combate à miséria.
Anúncio. Oficialmente o PSB afirma que espera a confirmação de Barbosa até a primeira metade deste mês. Isso porque, a partir desta data, pré-candidatos podem começar a arrecadar dinheiro para a campanha através de doações virtuais.
Nos bastidores, contudo, a pressão para o anúncio está vindo principalmente dos parlamentares do partido que já querem explorar a imagem de Barbosa nas suas bases eleitorais.
A avaliação corrente do partido é de que o ex-ministro do Supremo tem alto potencial eleitoral, porque teria capacidade de arregimentar votos em diferentes polos ideológicos.
Embora sua candidatura seja dada como certa pela direção do partido, o ex-ministro resiste em oficializá-la para evitar ser alvo de ataques por parte de adversários. Apesar disso, Barbosa deve se encontrar na próxima semana em Brasília com deputados federais e senadores do PSB.

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