

Em meio à correria das cidades, olhar para o céu ficou cada vez mais raro. Salvo quando há um evento astronômico, como a passagem de um cometa. E, nessa quinta (23) e sexta-feira (24), acontecerá um desses momentos, com a passagem do Neowise pela Terra.
Apesar de começar a se distanciar do nosso planeta, o corpo celeste ainda pode ser visto em Minas. Uma nova oportunidade só daqui a 6 mil anos, pelos cálculos dos cientistas. No Hemisfério Norte, foi possível ver o fenômeno em 3 de julho.
Por aqui, o ideal é observar entre o fim da tarde e início da noite, à direita do ponto onde ocorre o pôr do sol, explica o físico Renato Las Casas, coordenador do Observatório Astronômico da UFMG.
"Quem tiver uma câmera fotográfica pode deixar o obturador (dispositivo que permite controlar o tempo de exposição à luz) aberto por um minuto, terá uma foto linda, porque o cometa estará logo abaixo da Lua, que está numa fase crescente", aconselha Las Casas.
O físico também sugere o uso de binóculos para uma melhor observação. A olho nu, explica, o fenômeno aparecerá como um borrão de luz.
O Neowise - que ganhou este nome em referência ao telescópio da Nasa que o descobriu, há quatro meses - não pode ser visto durante o dia porque, "no alto do céu, a luz do Sol é mais forte que a dele, ofuscando-o", acrescenta Renato Las Casas.
Mas, como se trata de um corpo celeste sem luz própria, para vê-lo ainda assim é preciso que os raios solares possam refletir nele e se espalhar. Quanto mais próximo do Sol, mais brilhante fica.
"Um cometa é uma espécie de pedra de gelo suja, feito a partir de água do dióxido de carbono, sujo de pedras e poeiras. Quando se aproxima do Sol, a temperatura atinge menos 56º Celsius e o dióxido passa do estado sólido para o gasoso, criando aquela cabeleira de gás e poeira", explica Las Casas.
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