Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o momento em homem de 21 anos é alvo de chutes e pisões mesmo imobilizado no chão por seguranças da PUC Minas, no bairro Coração Eucarístico, em Belo Horizonte. A cena foi registrada na manhã de segunda-feira (11). O rapaz foi detido suspeito de furtar peças de hidrantes em prédios da instituição de ensino. Estudantes da universidade fizeram um protesto durante a noite denunciando violência e racismo na abordagem. A PUC informou por meio de nota que os funcionários agiram diante de uma situação de risco e reforçou que lamenta o ocorrido, sem reconhecer que houve excesso no episódio (veja abaixo a nota na íntegra).
Durante a tarde de segunda-feira, a reportagem noticiou a ocorrência policial e divulgou um vídeo gravado de outro ângulo e sem áudio. As imagens não mostravam as agressões ao suspeito, que são evidentes no flagrante que veio à tona no período da tarde.
O novo vídeo mostra três funcionários uniformizados ao redor do suspeito. Nas imagens é possível ver que dois desses homens acompanham o segurança, que coloca um joelho nas costas do rapaz detido e o segura com os braços para trás.
VÍDEO: Seguranças da PUC Minas chutam e pisam em suspeito de furto já imobilizado no chão. Saiba mais: https://t.co/lfWCvuFUsd. pic.twitter.com/WwMKe93dil
— BHAZ (@portal_bhaz) April 12, 2022
O suspeito grita, em desespero, e pede que soltem os braços dele, falando que não iria fugir. Um dos funcionários da PUC, que está com uma camisa azul clara, chega perto do rapaz e chuta a barriga dele. Em seguida, outro segurança, que está de costas no vídeo, pisa na mão esquerda do homem já imobilizado.
O rapaz de 21 anos teve escoriações e foi conduzido a uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento). Logo depois, encaminhado à Central Estadual do Plantão Digital, no bairro Serra Verde, onde a ocorrência policial foi encerrada.
Na noite do ontem, estudantes realizaram um ato contra a abordagem excessiva ao jovem. Em cartazes, denunciaram que seguranças da PUC tiveram uma postura racista e agressiva.
Pelas redes sociais, a União Estadual dos Estudantes de Minas Gerais denunciou violência na abordagem e demandou que medidas sejam tomadas pela instituição. “Nosso papel é exigir que a PUC Minas tenha um posicionamento diante desse fato e que se comprometa com um treinamento mais humanizado para a guarda, o ocorrido de hoje denuncia um sistema totalmente higienista e agressivo por parte da segurança”, publicou.
Nosso papel é exigir que a PUC Minas tenha um posicionamento diante desse fato e que se comprometa com um treinamento mais humanizado para a guarda, o ocorrido de hoje denuncia um sistema totalmente higienista e agressivo por parte da segurança. #racismonacatolica #pucracista pic.twitter.com/4BsXuAzsN4
— UEE - Minas Gerais (@UEEMG) April 12, 2022
Para Alexandre Braga, presidente da Unegro (União de Negras e Negros Pela Igualdade), a ação dos seguranças foi mais violenta do que o necessário. “No vídeo dá para ver que um dos funcionários ainda chutou o rapaz, mesmo ele já estando imobilizado. O menino tinha que ser encaminhado para a delegacia e pronto. Era para ter uma outra lógica de abordagem, mas ainda prevalece na universidade uma abordagem racista contra o jovem negro”, afirma.
O mestrando em Direito acredita que a violência de agentes de segurança contra jovens negros faz parte de uma estrutura que precisa ser combatida. Alexandre reforça que isso é algo recorrente também na segurança pública, como nas polícias Civil e Militar, no Exército, na Guarda Civil. O ativista ressalta que esse modelo violento e racista acaba sendo seguido também nas empresas privadas.
“Demitir os profissionais envolvidos não resolve o caso, tem que rever o treinamento recebido. Esse problema vem da maneira truculenta com que eles são preparados, que ensina que o jovem negro é um alvo que tem que ser abatido. Nós temos mais de 800 mil presos no Brasil, na maioria pretos e pardos. A abordagem agressiva não resolve e só tem causado mais violência”, acrescenta.
Para o pesquisador, é ainda mais grave que o caso tenha acontecido dentro de uma instituição de ensino ligada à igreja católica. “Uma universidade que prega o humanismo poderia ter um olhar mais humanista. Procurar a assistência social, entender se aquele jovem está passando fome, se ele tem algum problema mental, oferecer um acesso a um programa de extensão cultural, à educação”, sugere.
“A universidade usou uma lógica comercial para o problema, mas, ali é um lugar para difundir a cultura e o saber, teriam outros instrumentos para ajudar. A universidade não é uma empresa privada isolada da sociedade, muito pelo contrário”, conclui.
De acordo com a PM, o caso aconteceu por volta das 9h dessa segunda-feira. Os militares foram acionados pela própria instituição de ensino e informados que um homem suspeito teria entrado na universidade. Os seguranças passaram a procurar o indivíduo e o localizaram próximo ao prédio 10 do campus. Os funcionários afirmam que o rapaz teria furtado materiais que compõe os hidrantes espalhados em edifícios do campus.
Ainda segundo a ocorrência registrada junto à PM, ao notar a presença dos seguranças, o homem tentou fugir. Os funcionários narraram que o suspeito teria reagido à abordagem com socos e chute. Os profissionais ainda contaram que foram ameaçados pelo rapaz com um estilete.
A PUC Minas afirma que o homem é reincidente no furto de materiais e equipamentos na universidade. “Na manhã de ontem, ao ser surpreendido novamente pelos seguranças, armado com uma faca, o homem reagiu e atacou os funcionários. Como orienta a própria Polícia Militar nesses casos, ele foi imobilizado até a chegada dos policiais”, detalhou, por meio de nota (leia na íntegra abaixo).
A universidade lamenta o ocorrido, mas destaca que cabe à instituição zelar pela comunidade universitária. “Tratava-se de uma situação de risco para os funcionários e todos as pessoas no local, haja vista que os furtos acontecem dentro dos prédios”, ressaltou.
A reportagem questionou a instituição sobre o uso de força excessiva na abordagem, mas a PUC Minas não respondeu sobre o fato. A reportagem também demandou um posicionamento sobre as acusações de racismo no tratamento dispensado ao jovem, mas a nota enviada pela universidade não menciona o assunto.
“Na manhã dessa segunda-feira, dia 11.04, os funcionários do Setor de Operações e Segurança do campus Coração Eucarístico da PUC Minas detiveram um homem que, de modo reincidente, vem furtando e danificando materiais e equipamentos de segurança contra incêndio na Universidade. Foi a quarta vez que tal situação se deu. Na manhã de ontem, ao ser surpreendido novamente pelos seguranças, armado com uma faca, o homem reagiu e atacou os funcionários. Como orienta a própria Polícia Militar nesses casos, ele foi imobilizado até a chegada dos policiais. Tratava-se de uma situação de risco para os funcionários e todos as pessoas no local, haja vista que os furtos acontecem dentro dos prédios. Lamentamos o ocorrido, mas cabe à Universidade zelar pela proteção de seus equipamentos de prevenção e, em especial, pela segurança da comunidade universitária”.

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