
Desacreditado à época pela TV Globo, o filme O Auto da Compadecida (2000) - inspirado na peça teatral de Ariano Suassuna de 1955 - é considerado a maior comédia brasileira de todos os tempos. Quem não se lembra dos icônicos nordestinos João Grilo e Chicó? Agora, para a alegria dos fãs da obra, um segundo filme será lançado. A obra deve estrear em 2024, quando completa “bodas de prata”, conforme explicou o ator Matheus Nachtergaele (João Grilo) com exclusividade à reportagem.
O Auto da Compadecida 1 conta com grandes nomes no elenco, dentre eles, Selton Mello (Chicó), Virginia Cavendish (Rosinha), Denise Fraga (Dora) e Fernanda Montenegro (Nossa Senhora da Aparecida).
O ator revela que a emissora não acreditava muito no projeto e, por isso, foi investido pouquíssimo dinheiro no filme - que é um sucesso mesmo após mais de duas décadas. As gravações foram acompanhadas por Ariano Suassuna, que faleceu aos 87 anos em julho de 2014.
“Essa obra virou filme e se transformou no filme mais visto do Brasil. Ela não é a maior bilheteria de cinema, mas é, talvez, o filme brasileiro mais assistido pelos brasileiros. Ou seja, O Auto Compadecida é a peça mais montada no Brasil e o filme mais visto pelos brasileiros”, comenta Nachtergaele.
Foi durante a pandemia que o diretor e roteirista do filme Guel Arraes decidiu presentear o Brasil com o Auto da Compadecida 2 - que deve começar os ensaios em agosto deste ano. O objetivo, conforme o intérprete de “João Grilo”, é “falar de novo sobre essa eterna luta dos mais fracos para sobreviverem aos poderes com humor e muita fé”.
“Para mim e para o Selton [Mello] tem sido um desafio, uma emoção muito grande e ao mesmo tempo um medo. É difícil voltar com personagens clássicos sem machucá-los, sem danificá-los. E a gente não sabe o que vai ser o encontro desses personagens conosco agora nesta nossa idade. A gente tinha 30 anos e agora somos cinquentões. Vamos ver o que acontece”, admite.
O novo filme contará com novas tecnologias, mas sem perder a essência do primeiro, que é um marco na história do cinema do país. “O Guel [Arraes] está escrevendo um texto maravilhoso, os roteiristas são os mesmos que adaptaram a primeira versão: Guel Arraes, Adriana Falcão, João Falcão. A tecnologia vai entrar de outra forma agora. O Guel é muito genial, estudioso e obcecado. O texto está maravilhoso”, revela.
“Garanto que Selton e eu estamos emocionados. A gente está ao mesmo tempo excitado, o que é muito bom, porque a gente vai tá em carne viva, mas o grande objetivo não é superar O Auto compadecida 1, nem competir com ele, nem ganhar dinheiro com isso. O grande objetivo é dar para o Brasil um presente: seus heróis nordestinos brasileiríssimos sobreviventes aos poderes 25 anos depois tentando fazer a gente voltar a gostar da gente”, destaca.
João Grilo
Matheus comenta que ama o personagem "João Grilo" de todas as formas e versões. “Tudo é muito bonito também nessa adaptação que está sendo escrita agora, mas nada é mais inesquecível para mim e para o João Grilo do que o encontro com Nossa Senhora Aparecida”.
“Eu acho que isso é inesquecível. Estar com a Fernanda na minha frente, isso eu nunca mais me esqueço, beijando a mão dela todo vesguinho. Chorei de verdade pra dizer, muito obrigado grande advogada [...] eu quero melhorar, mas 'cê' sabe que a carne é fraca”, finaliza.

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