
A coleta de lixo de Sete Lagoas entrou inesperadamente no centro do debate público após um assessor parlamentar, lotado no gabinete de uma vereadora do Partido Novo - conhecida por representar a Associação Comercial e Industrial (ACI) na Câmara - protocolar um documento sugerindo a paralisação parcial dos garis.
O pedido, feito sem respaldo claro de uma assembleia da categoria, determina a manutenção de apenas 30% do efetivo e pressiona o sindicato a deliberar sobre uma greve. A iniciativa surpreendeu lideranças do setor e foi encarada como precipitada, inoportuna e politicamente motivada.
Movimento isolado causa estranhamento
A ação do assessor gerou desconforto entre trabalhadores e representantes sindicais. Nos bastidores, a movimentação é vista como um gesto isolado, que não reflete o cotidiano das tratativas conduzidas formalmente pela categoria.
Também chamou atenção o fato de quem assina e protocola o documento ocupar simultaneamente posição dentro de um gabinete parlamentar estratégico e, ao mesmo tempo, ter relação direta com o sindicato. A sobreposição de funções levanta dúvidas sobre possíveis conflitos de interesse e sobre a verdadeira intenção da tentativa de deflagrar uma paralisação.
Risco de danos ao comércio e ao setor produtivo
Caso uma greve desse porte fosse realmente deflagrada, os impactos seriam imediatos e severos:
• acúmulo de lixo nas vias em 24h, afetando o trânsito e a circulação central;
• prejuízo direto ao comércio, que depende de limpeza constante para atrair clientes, especialmente em áreas de grande movimentação;
• risco sanitário elevado, que afeta restaurantes, bares, supermercados e feiras;
• comprometimento do setor produtivo, já que empresas precisam de coleta regular para funcionamento e licenciamento sanitário;
• perda de qualidade de vida e insegurança ambiental para os moradores, sobretudo em bairros onde o acúmulo de resíduos se torna mais rápido.
Tais transtornos atingiriam tanto empresários quanto trabalhadores comuns, afetando a economia local, o turismo, os pequenos comércios e a rotina da população.
Por isso, representantes do setor produtivo já veem com preocupação a simples hipótese de uma paralisação forçada, especialmente se baseada em uma iniciativa política e não em uma decisão orgânica dos coletores.
Sindicato desautoriza interferência externa
O sindicato reiterou que qualquer decisão sobre greve deve passar por assembleia ampla, e que interferências externas — sobretudo de atores políticos — não contribuem para o diálogo nem para a solução das pendências trabalhistas. A entidade reforça que segue tratando o assunto pelas vias legais e administrativas, sem considerar medidas precipitadas que possam prejudicar os garis e comprometer a cidade.
Movimento visto como tentativa de criar desgaste artificial
Para fontes próximas à categoria, a ação do assessor parece uma tentativa de criar desgaste político artificial, utilizando um tema sensível para gerar impacto público, apesar de a maior parte dos trabalhadores continuar atuando normalmente.
Até o momento, não há qualquer confirmação oficial de greve. A cidade segue com coleta regular enquanto as entidades representativas organizam esclarecimentos internos e avaliam a necessidade de comunicar a população sobre a situação real, afastando ruídos e interferências externas que buscam distorcer o cenário.
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