
O Banco Master recebeu cerca de R$ 39 milhões provenientes do Exército Brasileiro entre agosto de 2024 e outubro de 2025. Os valores são referentes a parcelas de empréstimos consignados contratados por militares.
As informações constam em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, encaminhado à CPI do Crime Organizado, e apontam movimentações financeiras que dificultam o rastreamento do destino final dos recursos.
Segundo o documento, os valores eram inicialmente depositados em uma conta do banco no Banco Itaú, mas permaneciam por pouco tempo antes de serem transferidos para outras contas dentro do próprio Banco Master.
Esse padrão — com entradas e saídas quase imediatas e concentração em contas de mesma titularidade — é considerado atípico e pode indicar irregularidades, segundo o Coaf, já que dificulta a identificação de possíveis beneficiários finais.
O relatório também menciona indícios de concentração de valores sob ordens do comando do Exército, o que levantou questionamentos sobre a operação.
Em nota, o Exército afirmou que os repasses se referem exclusivamente a descontos autorizados em folha de pagamento de militares para quitação de dívidas pessoais, ressaltando que não houve prejuízo aos cofres públicos, já que os recursos são de origem privada.
A instituição também informou que o Banco Master foi habilitado para operar crédito consignado em fevereiro de 2023, após cumprir os requisitos do edital. No entanto, o contrato foi encerrado unilateralmente em novembro de 2025, poucos dias após o Banco Central do Brasil decretar a liquidação extrajudicial do banco.
O Banco Master passou por uma rápida expansão entre 2018 e 2023, ampliando operações e adquirindo outras instituições. No entanto, a partir de 2024, enfrentou dificuldades financeiras, não conseguindo cumprir metas de captação e apresentando problemas de capital e gestão de risco.
Ao longo de 2025, a crise se agravou, com tentativas de venda e medidas emergenciais que não evitaram o colapso. Em novembro daquele ano, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição.
As operações de crédito consignado foram um dos principais motores de crescimento do banco. Em 2024, o volume de operações superou R$ 3,5 bilhões.
Apesar disso, o banco acumulou milhares de reclamações de clientes, incluindo cerca de 15 mil registros em plataformas do governo e aproximadamente 9 mil queixas nos Procons em todo o país.
O caso agora está sob análise das autoridades e pode avançar nas investigações conduzidas pela CPI do Crime Organizado.
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