

O presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, promulgou nesta sexta-feira (8) a chamada Lei da Dosimetria, após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não assinar o texto dentro do prazo constitucional.
A nova lei será publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) e altera critérios para aplicação de penas e progressão de regime em casos relacionados a crimes contra o Estado Democrático de Direito.
Na prática, a medida pode beneficiar investigados e condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão no julgamento relacionado à trama golpista.
O projeto havia sido vetado integralmente por Lula no dia 8 de janeiro deste ano, data em que os ataques às sedes dos Três Poderes completaram três anos.
Na última semana, Câmara dos Deputados e Senado votaram pela derrubada do veto presidencial.
Na Câmara, foram 318 votos favoráveis à derrubada e 144 contrários. Já no Senado, o placar terminou em 49 votos favoráveis e 24 contrários.
Para a derrubada do veto, eram necessários pelo menos 257 votos na Câmara e 41 no Senado.
Após a derrubada do veto pelo Congresso, Lula tinha 48 horas para promulgar a nova lei, conforme determina a Constituição Federal.
Como o presidente não assinou o texto dentro do prazo, a responsabilidade passou automaticamente para Davi Alcolumbre.
Segundo informações divulgadas nos bastidores do governo, Lula optou por não promulgar o projeto para evitar associação política direta com a medida.
Após a derrota no Congresso, integrantes da base governista passaram a discutir uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para questionar a constitucionalidade da nova lei.
O líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai, afirmou que o partido pretende judicializar a medida nos próximos dias.
Entre os argumentos avaliados está o chamado “fatiamento” do veto presidencial durante a votação no Congresso, considerado por aliados do governo passível de contestação jurídica.
Apesar disso, integrantes do Palácio do Planalto avaliam que o STF tende a manter a decisão tomada pelos parlamentares.
Antes da votação, Alcolumbre realizou uma manobra considerada incomum para retirar do projeto um trecho que poderia entrar em conflito com a chamada Lei Antifacção.
Esse trecho facilitava a progressão de regime para condenados por crimes graves, como feminicídio e crimes hediondos.
Com a retirada dessa parte, o Congresso conseguiu derrubar o veto presidencial sem alterar regras mais rígidas já previstas em outra legislação.
A medida foi considerada um “desmembramento” do veto integral apresentado anteriormente por Lula ao projeto original.
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