
A sequência de acidentes graves registrados nos últimos meses voltou a colocar a BR-040 no centro das preocupações de motoristas, moradores e profissionais que dependem diariamente da rodovia na região de Sete Lagoas.
Um levantamento realizado a partir de registros da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Corpo de Bombeiros, concessionária Via Cristais e veículos de imprensa identificou pelo menos cinco mortes em acidentes ocorridos entre março e agosto de 2026 em trechos da BR-040 relacionados a Sete Lagoas. O número pode ser maior, já que ainda é necessário cruzar a base completa de ocorrências da PRF para estabelecer um balanço oficial de todo o período.
O episódio mais recente e de maior repercussão aconteceu em 24 de agosto, no km 491, entre Sete Lagoas e Capim Branco. Um ônibus da Viação Pássaro Verde, que havia saído de Minas Novas com destino a Belo Horizonte, bateu de frente com um caminhão. Os dois veículos pegaram fogo. Duas pessoas morreram e outras 23 ficaram feridas. Segundo informações preliminares divulgadas pelas autoridades, o caminhão teria invadido a contramão. A dinâmica definitiva do acidente depende das investigações e da perícia. O acidente de agosto não foi um caso isolado.
Cinco mortes em diferentes pontos da rodovia
Em 31 de março, uma colisão entre duas carretas deixou uma pessoa morta no km 462, no sentido Belo Horizonte. A vítima ficou presa às ferragens e morreu no local. A pista precisou ser interditada para o atendimento e para o trabalho da perícia. Pouco mais de um mês depois, em 12 de maio, outro motorista morreu após uma carreta sair da pista e tombar no km 467,9, próximo ao posto Canecão. A ocorrência aconteceu durante a madrugada, no sentido Belo Horizonte. As causas do acidente não haviam sido esclarecidas na ocasião.
Quatro dias depois, em 16 de maio, uma nova colisão entre veículos de carga terminou com a morte de outro motorista, desta vez no km 463. Segundo o relato registrado pelos bombeiros, uma carreta teria apresentado pane mecânica e permanecido parada sobre a pista. O segundo veículo não teria conseguido realizar uma manobra para evitar a colisão. Em 21 de junho, um motociclista morreu após ser atingido por veículos de carga na BR-040, em Sete Lagoas. Segundo o relato da ocorrência, o motociclista havia saído de um posto de combustíveis quando foi atingido por uma carreta e, posteriormente, por outro veículo de carga.
Somadas às duas mortes registradas no acidente de agosto, essas ocorrências representam pelo menos cinco vítimas fatais em acidentes graves no trecho pesquisado durante 2026.
Um dos aspectos que merece investigação é a concentração de ocorrências graves em determinados pontos.
Os acidentes fatais identificados ocorreram nos quilômetros 462, 463 e 467,9, além do km 491 e de um trecho próximo a Sete Lagoas no caso envolvendo o motociclista.
Os quilômetros 462 e 463, em particular, registraram acidentes fatais com veículos de carga em um intervalo de menos de dois meses.
Isso não permite afirmar, por si só, que esses locais sejam oficialmente “pontos críticos”. Para chegar a essa conclusão seria necessário comparar o número de acidentes, fluxo de veículos, extensão do trecho e características da pista com outros pontos da rodovia.
Mas os registros são suficientes para justificar uma pergunta às autoridades e à concessionária: o que existe nesses trechos que pode estar contribuindo para a gravidade ou frequência das ocorrências?
Pane mecânica, veículos pesados e colisões
Outro elemento que aparece em parte dos acidentes é a presença de veículos de carga.
Nos casos de março e maio, houve colisões envolvendo carretas. No acidente do dia 16 de maio, especificamente, o relato apontou uma pane mecânica como fator associado à imobilização de uma carreta sobre a pista. Isso abre uma linha importante de investigação sobre fiscalização e condições dos veículos pesados, mas não permite concluir que problemas mecânicos sejam a principal causa dos acidentes.
Também seria necessário saber quantos caminhões e carretas circulam diariamente pelo trecho e qual a proporção desses veículos nas ocorrências registradas.
A região possui intenso tráfego de cargas. A própria Via Cristais destaca que o trecho concedido tem forte circulação de veículos pesados, associada à atividade industrial, mineração, siderurgia e agronegócio.
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