

A Justiça condenou quatro integrantes de uma organização criminosa formada por moradores de Sete Lagoas e investigada por utilizar processos judiciais fraudulentos para tentar obter dinheiro de terceiros. A decisão foi proferida pela 7ª Vara Criminal de Belo Horizonte e envolve crimes de furto qualificado por fraude cibernética, uso de documento falso e associação criminosa.
O grupo foi investigado pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) durante a Operação Pseudos, que teve duas fases realizadas em 2025. Conforme a apuração, os envolvidos criavam documentos e processos fictícios e utilizavam essas ações para tentar convencer a Justiça de que existiam dívidas que, na realidade, não eram verdadeiras.
O esquema tinha como alvo, entre outros casos, contas bancárias de pessoas que já haviam morrido, mas que ainda permaneciam ativas. Para isso, eram apresentados contratos e notas promissórias falsificados em ações de execução.
Em uma das fraudes investigadas, os criminosos conseguiram efetivamente retirar dinheiro das vítimas. O prejuízo registrado nesse caso foi de R$ 180 mil.
As quatro condenações somam mais de 58 anos de prisão.
O integrante apontado como principal operador da organização recebeu a maior pena: 23 anos e três meses de prisão. O homem considerado o mentor intelectual do esquema, que aparecia nos processos como um suposto credor, foi condenado a 19 anos e três meses.
Os dois também deverão pagar, de forma conjunta, R$ 189.357,71 para ressarcir a família prejudicada.
Outro integrante, um advogado apontado como responsável por apresentar as petições fraudulentas à Justiça, recebeu pena de nove anos e três meses. O quarto condenado deverá cumprir cinco anos e nove meses de prisão.
A investigação começou a partir de uma situação identificada na 36ª Vara Cível de Belo Horizonte. O juiz responsável pelo processo encontrou sinais de falsificação de documentos em uma ação de execução movida contra uma pessoa que já havia falecido.
A tentativa, naquele caso, envolvia aproximadamente R$ 421 mil mantidos em contas bancárias da pessoa morta.
A suspeita levou o caso ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MPMG. Com o avanço das apurações, foram realizadas interceptações e quebras de sigilo, que permitiram identificar os envolvidos e apontar a existência de uma organização criminosa formada por moradores de Sete Lagoas.
A investigação também contou com a participação da Corregedoria-Geral do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).
A primeira fase da Operação Pseudos aconteceu em 15 de maio de 2025. Na ocasião, as equipes cumpriram 12 mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão temporária. Três dos alvos das prisões eram advogados.
Meses depois, em 25 de setembro de 2025, uma segunda fase foi deflagrada em Sete Lagoas. Foram cumpridos três mandados de prisão preventiva e quatro mandados de busca e apreensão.
Além das prisões e buscas, a Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias e de bens ligados aos investigados.
Segundo o MPMG, a segunda etapa reuniu o trabalho do Gaeco e da 12ª Promotoria de Justiça e teve como objetivo avançar na desarticulação da associação criminosa.
A condenação ainda não é definitiva. Como a decisão foi tomada em primeira instância, os réus têm direito de recorrer.
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