
A busca por maior eficiência e redução do impacto ambiental na indústria automotiva ganhou destaque no complexo do Iveco Group em Sete Lagoas. Em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), a empresa concluiu a etapa final do programa Integra Iveco Group, que premiou três projetos estudantis desenvolvidos durante o Grand Prix SENAI de Inovação 2026.
A iniciativa reuniu 1.260 estudantes de diversas regiões do país e promoveu uma jornada que incluiu mentoria técnica, desenvolvimento de protótipos e intercâmbio entre os participantes e especialistas do setor.
O primeiro lugar ficou com a equipe do SENAI Areias, de Recife (PE), responsável pelo desenvolvimento do Módulo Nexus.
A proposta consiste em uma estrutura lateral para chassis, produzida em alumínio reciclado, capaz de integrar em um único módulo as baterias, o sistema de Arla 32 e o reservatório de combustível.
O conceito reúne alta capacidade de dissipação térmica, facilidade de manutenção e possibilidade de reaproveitamento do material ao final de sua vida útil.
“Nossa ideia foi valorizar a autonomia e a facilidade de manutenção, seja pelo próprio motorista ou por um reparador. Durante a prototipagem, recebemos contribuições das áreas de Engenharia e Comercial da IVECO, que reforçaram a importância de ouvir o cliente”, explicou Esdras dos Santos, integrante da equipe pernambucana.
A segunda colocação ficou com o SENAI Santos Dumont, de São José dos Campos (SP), pelo projeto Painel de Porta Eco-Modular.
O componente utiliza conceitos de biomimética e é produzido com um compósito formado por fibra de curauá e polipropileno. A solução elimina a necessidade de parafusos e adesivos, utilizando sistemas de encaixe para facilitar os processos de montagem, manutenção e reciclagem.
Noemia Marquese, integrante da equipe paulista, destacou a importância de ampliar o uso de matérias-primas nacionais.
“A fibra de curauá ainda é pouco conhecida pelo mercado, apesar de sua resistência e capacidade de substituir outros materiais. Investir nessa planta amazônica pode favorecer as comunidades envolvidas”, afirmou.
O terceiro lugar foi conquistado pelo projeto EcoOficina, desenvolvido pelo SENAI Gaspar Ricardo Júnior, de Sorocaba (SP).
O trabalho tem como objetivo ampliar a vida útil de componentes automotivos por meio do recondicionamento de peças, da impressão 3D em nylon reforçado com fibra de carbono e do uso de biocombustíveis na produção.
A proposta também contempla o uso de algas para a captura de dióxido de carbono (CO₂) e a regionalização da manufatura como estratégia para reduzir as emissões relacionadas ao transporte e à logística.
Para a gerência de Sustentabilidade do Iveco Group, a aproximação entre a indústria e os estudantes contribui para antecipar tendências relacionadas à economia verde e testar soluções capazes de gerar benefícios para a operação e para os clientes.
“Reduzir o peso dos veículos pode aumentar a eficiência, diminuir o consumo de combustível e ampliar a capacidade de carga. Já a facilidade de manutenção contribui para a disponibilidade, um fator essencial para a operação dos veículos”, avaliou Lucilene Carvalho, gerente de Sustentabilidade da companhia.
Ela também ressaltou o potencial da América Latina na agenda de sustentabilidade.
Representantes do SENAI destacaram ainda a importância da experiência prática proporcionada aos estudantes em contato direto com um ambiente industrial.
“Quando SENAI e indústria caminham juntos, a inovação deixa de ser apenas uma ideia e se transforma em impacto”, ressaltou Antônio Lopes, especialista em Desenvolvimento Industrial da instituição.
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