
O deputado federal eleito por Minas Gerais Gleidson Azevedo (Republicanos) defendeu o fim das emendas parlamentares e a extinção das Câmaras Municipais em todo o país. As propostas foram apresentadas durante entrevista concedida à Itatiaia, nesta quinta-feira (29).
Ex-prefeito de Divinópolis e irmão gêmeo do governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), Gleidson afirmou que pretende atuar na Câmara dos Deputados para enxugar a máquina pública e descentralizar a aplicação dos recursos públicos.
A proposta, segundo ele, é transferir para prefeitos e governadores uma parcela maior da responsabilidade pela gestão do dinheiro arrecadado pelos governos.
Durante a entrevista à Itatiaia, Gleidson Azevedo defendeu a eliminação definitiva das emendas parlamentares. Para ele, deputados não deveriam ter a prerrogativa de indicar recursos do orçamento para determinadas obras ou ações.
O deputado eleito reconheceu que a medida poderia contrariar interesses dos próprios parlamentares, mas afirmou que considera o modelo inadequado.
“Vou estar jogando contra mim mesmo, mas eu acho que os deputados não têm que ter emenda parlamentar. Quem executa é o Executivo. Esse dinheiro tem que estar na mão dos prefeitos e do governador”, afirmou Gleidson.
Na avaliação dele, prefeitos, governadores e o presidente da República deveriam concentrar a responsabilidade pela execução dos recursos públicos.
Gleidson também criticou a concentração de dinheiro público em Brasília e defendeu uma mudança na distribuição dos recursos arrecadados pelos governos.
Segundo ele, a cada R$ 10 arrecadados em tributos, apenas R$ 1 permanece nos municípios onde os serviços públicos são prestados.
“Precisa ter essa mudança porque, enquanto tiver mais Brasília e menos município, infelizmente, para a população, as coisas não irão mudar”, declarou durante a conversa com a reportagem da Itatiaia.
Outra proposta apresentada por Gleidson durante a entrevista foi ainda mais ampla: acabar com as Câmaras de Vereadores em todo o país.
O deputado eleito argumentou que os legislativos municipais representam um custo elevado para as prefeituras por meio do chamado duodécimo, parcela do orçamento destinada à manutenção dos poderes.
Para explicar sua posição, Gleidson utilizou Divinópolis como exemplo.
“Para a população poder entender: tudo aquilo que a prefeitura arrecada no ano, vamos colocar, por exemplo, que Divinópolis arrecadou R$ 100 milhões no ano. O município é obrigado a passar 6% para a Câmara”, afirmou.
Na sequência, questionou a atuação dos legislativos municipais:
“Aí eu pergunto para você: o que a Câmara Municipal impacta na sua vida? É aprovar nome de rua, é dar moção.”
Para Gleidson, a estrutura atual deveria ser substituída por um modelo de fiscalização técnica.
Na avaliação dele, os vereadores deveriam ter conhecimento específico para verificar as contas públicas e acompanhar a execução de obras.
“Eles não sabem a fissura de um asfalto, não sabem a temperatura do asfalto”, afirmou.
Gleidson prosseguiu explicando seu argumento:
“Eu sei porque hoje tem a questão das redes sociais e, muitas vezes, eles [vereadores] estão lá: ‘o asfalto da prefeitura, não sei o que lá’. Eles não estão fiscalizando na prática.”
Como alternativa às Câmaras Municipais, Gleidson defendeu a criação de estruturas de fiscalização semelhantes aos Tribunais de Contas dos Estados.
A ideia, segundo ele, seria criar órgãos municipais com capacidade técnica para acompanhar as contas das prefeituras e a execução de obras e serviços públicos.
Durante a entrevista, o deputado eleito também criticou a influência política que, segundo sua avaliação, existe na relação entre prefeitos e vereadores.
“A gente sabe, no final, que a Câmara é política”, afirmou.
Gleidson continuou:
“Às vezes, se o prefeito não tiver o vereador lá e, às vezes, não comprar os vereadores com cargos, ele terá uma certa dificuldade. Se ele comprar, também acabou, não tem fiscalização nenhuma.”
Eleito deputado federal por Minas Gerais com 126.248 votos, Gleidson Azevedo entrou na política em 2020, quando foi eleito prefeito de Divinópolis.
Aos 44 anos, o irmão gêmeo de Cleitinho Azevedo afirmou que pretende levar para Brasília uma atuação diferente da política tradicional.
Durante a entrevista à Itatiaia, Gleidson fez referência à trajetória política do irmão, que chegou ao Senado Federal depois de passar pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
“Vocês ouviram muito falar do Cleitinho no Senado, quando ele foi deputado também na Assembleia Legislativa [de Minas] e agora vão ouvir muito falar do Gleidson lá em Brasília, no Congresso, que eu vou entrar lá para poder quebrar o sistema”, declarou.
Além de Gleidson e Cleitinho, a família Azevedo também tem outro integrante na política mineira. Eduardo Azevedo (PL) foi eleito para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) nesta legislatura e está entre os cinco parlamentares mais votados da Casa.
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