
É dentro de casa que as mulheres sofrem mais violência. Em Minas, aconteceram na própria família 31,2% dos casos de violência sexual contra elas, tanto física como psicológica, seguidos por agressões nas ruas (25,9%), no trabalho (19,5%) e no transporte público (12,9%). Os números podem ser maiores, já que 85,6% das ouvidas em levantamento da ONG Defesa Social informaram que conhecem alguma mulher vítima de abuso, assédio e violência sexual.
Segundo o levantamento, 28,6% das mulheres afirmaram já ter sido abusadas por algum familiar. Para Robert William de Carvalho, presidente da ONG, a cultura machista e a certeza da impunidade são os maiores problemas enfrentados pelas mulheres. “A família, que seria o local de maior proteção, infelizmente, acaba sendo o local de maior risco e agressão contra as mulheres. Além do machismo enraizado, o que vemos são leis e ações pouco efetivas”, analisa. “O agressor acaba não respeitando (a mulher) pelo apelo emocional que ele tem sobre ela”, completa Carvalho, estudante de direito e policial civil aposentado.
Somente após 11 anos de abusos sexuais na própria família, Jéssica* conseguiu denunciar o agressor, ex-marido da tia. Abusada dos 3 aos 12 anos, a estudante, hoje com 25, foge do homem que a violentou mesmo apesar de ter obtido uma medida protetiva. “Ele tocava nas minhas partes íntimas. Custei a entender o que era aquilo, mas tenho memórias até hoje, tudo me lembra o terror. Meu medo era vergonha de aquilo ter acontecido e a minha mãe se sentir culpada. Depois que denunciei, ele não falou nada, mas me seguia”, diz.
Segundo a pesquisa, as ações de proteção à mulher são tardias para 37,8% das entrevistadas. Para 30,7%, nenhuma ação funciona.
Para a subsecretária de Políticas de Prevenção à Criminalidade da Secretária de Estado de Segurança Pública, Andreza Gomes, a política pública evoluiu nos últimos anos e é preciso denunciar. “A denúncia funciona como uma rede de proteção à mulher e para mostrar a verdadeira realidade. Antes, quando a mulher denunciava, era responsabilizada até na delegacia. Hoje temos maior esclarecimento e orientação também das mulheres, de saberem que são as vítimas”, ressaltou.
Iniciativas. Agentes femininas da Guarda e da BHTrans atuam no combate de assédio sexual no transporte público desde setembro. Um dispositivo chamado de “botão do assédio” foi instalado nos coletivos em novembro, e ao menos cinco homens foram detidos pelo crime nos últimos três meses, segundo a prefeitura.
Atuação policial e eficácia de punição recebem críticas
A certeza de que os órgãos policiais não vão tomar as devidas providências é queixa de 25,3% das mulheres ouvidas na pesquisa da ONG Defesa Social. A dúvida sobre a punição ao agressor é compartilhada por 20,7% das entrevistadas. “Não me senti acolhida e protegida. Temos sempre que provar que estamos falando a verdade”, relata Jéssica*, violentada por um familiar dos 3 aos 12 anos.
Chefe da Sala de Imprensa da PM, major Flávio Santiago argumenta que a corporação tem o serviço de policiamento preventivo à violência doméstica contra mulher, com treinamento exclusivo para atender esse tipo de demanda. Na capital, há a Companhia de PM Independente de Prevenção à Violência Doméstica. “A polícia, hoje, está cada vez mais capacitada no que tange ao direito dos cidadãos e das mulheres”, disse.
Em nota, a Polícia Civil informou que todo tipo de violência sexual deve ser denunciada, para que ocorram a investigação e as medidas pertinentes. Onde não há Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher – em Minas são 72 –, o registro poder ser feito na delegacia mais próxima.
Estado. Em 2018, o grupo Mediação de Conflitos, da Secretária de Estado de Segurança Pública, fez cerca de 16 mil atendimentos, grande parte ligada à violência doméstica e intrafamiliar. O programa está em 33 centros de Prevenção à Criminalidade.
Segundo a subsecretária de Políticas de Prevenção à Criminalidade da Sesp, Andreza Gomes, além das ações preventivas e de enfrentamento, o grupo esclarece as mulheres sobre os direitos delas. “A informação é uma das principais aliadas para que a mulher saia desse círculo de violência”, afirma.
*Nome fictício
Por Letícia Fontes - OTempo

Religião Diocese de Sete Lagoas celebra Dia Mundial da Vida Consagrada com missa no Carmelo
Conscientização Uso irregular de terrenos como depósito de lixo pode gerar multas em Prudente de Morais
Combate à fome Sete Lagoas integra lista de municípios prioritários em plano nacional contra a fome
Carnaval 2026 Pré-Carnaval e Carnaval em Minas ganham ação que troca recicláveis por pontos e Pix
Pagamento Prefeitura de Sete Lagoas divulga calendário de pagamento do adicional insalubridade para ACS e ACE
Vaquinha Nova vaquinha em Sete Lagoas busca arrecadar recursos para tratamento de comerciante Mín. 18° Máx. 26°

