
Em meio à explosão de casos de dengue, Minas vai precisar redobrar os cuidados contra mais uma doença transmitida por mosquitos. A febre do mayaro, enfermidade com sintomas idênticos à chikungunya, teve os três primeiros registros confirmados no Rio de Janeiro nesta semana. Para especialistas, a chegada no vírus em território mineiro é “questão de tempo” uma vez que o Estado tem todas as condições propícias para a proliferação do vetor.
De origem africana, ele é comum na região amazônica do país e já havia causado surtos em cidades como Belém do Pará. No entanto, até então, não havia sido detectada a presença do agente no Sudeste.
Incapacitantes, os sintomas da doença são marcados por febre alta e dores fortes nas articulações. Um quadro que, em casos mais graves, pode se prolongar por semanas, uma vez que o tratamento é feito apenas com analgésicos e antitérmicos.
Para o virologista e professor da UFMG Flávio Guimarães da Fonseca, apesar da inexistência de dados oficiais que confirmem a circulação do vírus em Minas, é impossível garantir que ele já não esteja por aqui.
“Há um fluxo enorme não apenas de pessoas, mas de cargas indo e voltando do Norte do país, diariamente. Esse é o caminho natural para que o mayaro tenha chegado até nós”, explica Fonseca, que também não descarta a hipótese de que outras arboviroses (enfermidades transmitidas por mosquitos) possam adentrar o Estado mais cedo ou mais tarde.
“Na região Norte, o oropouche, por exemplo, que tem sintomas parecidos com a dengue, já está em quarto lugar na lista de enfermidades que mais causam problemas. Não demora para que ele chegue aqui”, diz o virologista.
De dezembro de 2014 a janeiro de 2016, 86 casos do mayaro foram registrados no país, segundo o Ministério da Saúde
Dispersão
Médica e pesquisadora em saúde pública da seção de Arbovirologia do Instituto Evandro Chagas (IEC), Socorro Azevedo explica que o órgão tem percebido a dispersão do mayaro pelo país.
“A possibilidade de proliferação existe onde há condições necessárias: ter o mosquito transmissor ou pessoas portadoras do vírus, e Minas já é um local onde outras arboviroses ocorrem”, diz.
Diante do risco da chegada de uma nova doença, a eliminação dos locais onde os vetores se reproduzem torna-se ainda mais importante. Quem afirma é o subsecretário de Promoção e Vigilância em Saúde da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), Fabiano Pimenta.
“Quanto menor a infesta-ção, menor a chance de proliferação. Hoje, mais de 80% dos criadouros estão no ambiente doméstico. Precisamos combater isso”, ressalta.
Por nota, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou que, até o momento, não há registro do vírus mayaro em Minas. Reforçou, no entanto, “que as ações de prevenção são permanentes, sendo as mesmas direcionadas no controle da dengue e febre amarela.
Editoria de Arte / N/A

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