
Cento e cinquenta pessoas – entre operários diretos e prestadores terceirizados – acabaram desligadas de suas funções na cervejaria Backer entre o mês de janeiro e este começo de fevereiro.
As demissões aconteceram em decorrência da interrupção da produção, portanto da crise iniciada na empresa desde a descoberta de que cervejas contaminadas por duas substâncias tóxicas – dietilenoglicol e monoetilenoglicol – possam ter causado a morte de seis pessoas e a internação de outras 28 com graves sintomas em Minas Gerais.
O quadro clínico está identificado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) como 'síndrome nefroneural', principalmente caracterizado por alterações neurológicas e insuficiência renal. Antes dessa crise, a empresa era responsável por cerca de 650 pessoas.
Através de sua assessoria, a empresa comunicou na manhã desta quinta-feira (13) que não descarta a possibilidade de mais demissões nas próximas semanas. "A Backer está fazendo o maior esforço possível para não demitir, mas a interrupção da produção inviabiliza que todos os funcionários sejam mantidos".
Os servidores que não foram demitidos estão dispensados de suas funções por decreto de férias coletivas. As operações na cervejaria estão interrompidas desde 10 de janeiro, após as instalações serem interditadas por determinação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
Apenas 60 pessoas continuam com suas obrigações nas dependências da empresa após a interdição. À reportagem, a cervejaria declarou esperar a "conclusão das investigação para obter respostas, retomar a produção e evitar novas demissões".
Caixa
A CEO da Backer, Paula Lebbos, declarou ao "Valor Econômico" não saber ainda qual será o volume das demissões. Segundo ela, é necessário esperar para saber como o mercado reagirá após a conclusão das investigações.
Reportagem publicada pelo periódico aponta que a cervejaria está com o caixa zerado e, agora, precisa renegociar dívidas com credores. O faturamento anual da fabricante mineira de cerveja gira em torno de R$ 60 milhões.
Saúde pública
Trinta e quatro pessoas adoeceram em Minas Gerais supostamente após o consumo de cervejas da Backer contaminadas com dietilenoglicol e monoetilenoglicol.
Seis delas não resistiram à gravidade do quadro de saúde e morreram, entre dezembro do ano passado e este mês de fevereiro. Há 35 dias, a Polícia Civil instaurou um inquérito para investigar todos os esses casos e, até o momento, 29 pessoas, entre vítimas e familiares, já foram ouvidas. Ainda não há previsão para conclusão.

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