
Um homem sofreu uma parada cardiorrespiratória e morreu enquanto pulava Carnaval no bairro Ipiranga, na região Nordeste de Belo Horizonte. Valdecir Gastaldi, 56, passou mal por volta das 18h30 do último sábado, durante o desfile do bloco CSH, na rua Conde de Monte Cristo. De acordo com o Corpo de Bombeiros, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado, e os socorristas fizeram manobras de ressuscitação usando o desfibrilador, mas ele veio a óbito no local.
A morte de Gastaldi lança um alerta para os cuidados com o coração durante a folia. Muitas horas seguidas pulando atrás de blocos, ingestão de álcool e energético e a privação do sono podem tornar-se combinações perfeitas para arritmias, descontrole da pressão arterial e ataques cardíacos – principalmente para quem tem predisposição a doenças cardiovasculares.
Segundo um dos fundadores do bloco, Luciano Starling, o bloco CSH é assim chamado, pois é formado por uma turma de amigos que mora há mais de 30 anos no Conjunto Santa Helena. “O Valdecir é tio de dois amigos nossos e era porteiro de um dos prédios do CSH havia 23 anos. Ele não era uma cara que bebia e usava drogas. Ele era bem de saúde, trabalhador. Foi mesmo uma fatalidade”, disse.
Em sua página nas redes sociais, o bloco CSH fez uma homenagem ao folião. “Guardaremos a lembrança do Valdecir, nosso eterno ‘Ci’, para sempre em nossos corações”, diz o texto. Valdecir era solteiro, morava na capital mineira e seu enterro foi no domingo, no Cemitério da Paz.
O médico cardiologista Augusto Vilela, do Departamento de Cardiologia da Rede Mater Dei e do Hospital Belo Horizonte, alerta que, esmo para quem acredita ter boa saúde, acompanhar a maratona que às vezes começa pela manhã e se estende até a noite pode equivaler a uma corrida de 10 km. “Toda essa movimentação, aliada aos exageros, como o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, drogas, cigarro e energéticos, tornam comuns os casos de arritmia cardíaca e de infarto nos dias festivos”, explica.
Idosos (a partir de 65 anos), pacientes hipertensos, diabéticos e pacientes com histórico família de cardiopatia, principalmente acima dos 40 anos, devem ficar mais atentos a possíveis problemas cardíacos. “Os possíveis sinais de alerta são: dor no tórax, falta de ar, tontura, sensação de desmaio e palpitações”, alerta o cardiologista.
Durante esses tipos de festas, como o Carnaval, doenças como a “síndrome do coração festeiro” costumam aparecer. “Trata-se de alterações no ritmo do coração desencadeadas por excesso de abusos pós-festa, como a ingestão abusiva de álcool, sal, gorduras e doces. Isso podedesencadear crises hipertensivas, arritmia e até mesmo algo mais sério como o infarto”, explica o médico.
Vilela afirma que a moderação e o equilíbrio são fatores importantes na prevenção de arritmias, principalmente em épocas mais festivas. “Todos os excessos trazem malefícios, e essas situações podem ser evitadas. É preciso ter bom senso e se divertir com moderação”, alerta o cardiologista.
Minientrevista
Luciano Starling
Integrante do bloco CSH e fundador
O Valdecir era um folião conhecido? Ele tinha algum problema cardíaco?
Esse foi o sétimo ano nosso. A gente é um bloco de pré-carnaval, muito família, nunca teve confusão. Ele não tinha nada, nenhum problema. Infelizmente foi uma fatalidade. Ele falou do bloco a semana inteira.
O desfile continuou?
O bloco era para durar até as 20h. A gente parou o bloco às 18h30, e depois que o Samu levou o corpo, a gente encerrou o bloco. Estava todo mundo muito triste, orando em volta do corpo, mandando força e energia pra ele.
E agora como fica o bloco?
A gente sempre busca incentivar alguma campanha, e pensando nele, ano que vem vamos fazer algo voltado para o coração. Vamos buscar ter uma ambulância, porque como vem muitas famílias tem sempre muitos idosos. (LM)
Dicas para curtir a folia com segurança e saúde
Dicas do cardiologista Augusto Vilela:

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