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Hotéis fazenda em Minas reabrem com festa junina no mato e fila de espera

Adotando rigorosos protocolos de higiene e segurança, estabelecimentos em Minas atuam com 50% da capacidade e mesmos preços de antes da pandemia de coronavírus

26/06/2020 10h50
Por: Redação Fonte: O Tempo
Foto: Fonte Limpa/Divulgação
Foto: Fonte Limpa/Divulgação

Poder reabrir as portas, ainda que com a capacidade pela metade, é um verdadeiro alívio para quem se sustenta do turismo. Em alguns hotéis fazenda, rígidos protocolos de segurança foram adotados para garantir a segurança de hóspedes e funcionários, no que pode ser considerado uma nova normalidade em meio à pandemia de coronavírus. As tradicionais atividades de lazer ganharam nova roupagem e até mesmo as festas juninas foram adaptadas para quem está em busca de sossego no meio do mato.

E a procura tem sido alta. Em alguns estabelecimentos já não há datas disponíveis para hospedagem até o fim de julho. Manter as tarifas com os mesmos preços antes da pandemia foi a orientação dada pela entidade que representa dezenas de hotéis de lazer em Minas Gerais, tal como manter a capacidade em no máximo em 50% da totalidade, acabar com o sistema de self-service, aferir a temperatura dos hóspedes e evitar qualquer tipo de aglomeração nas atividades de lazer. As diárias médias, conforme pesquisa da reportagem, podem variar entre R$ 1.000 e R$ 1.500 para um casal com uma criança aos fins de semana.

 “Estamos desenvolvendo uma série de protocolos para serem seguidos nessa reabertura, como protocolo de higienização dos quartos, sanitarização dos ambientes externo, inclusive com vaporização, respeito do distanciamento social, uso de máscaras e toda uma paramentação adequada aos funcionários dos hotéis. Essas são apenas algumas das medidas propostas.Adotamos protocolo padrão e, em conversas com o próprio governo de Minas e o Ministério do Turismo, queremos criar um selo específico para os hotéis de lazer que se enquadrarem nessas normas”, explicou Rodrigo Antônio dos Santos Baltazar, presidente da Associação Mineira de Hotéis de Lazer (Amihla), criada recentemente e que já conta com uma cartela de 48 associados e uma fila para novas adesões.

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 O também proprietário do Siriema Village, em Jaboticatubas, na região metropolitana de BH, conta que a categoria tem demandas que são completamente diferentes da hotelaria convencional. “Os hotéis fazenda, por exemplo, já são localizados muitas vezes em locais afastados e contam com grandes terrenos, que facilita o distanciamento social. Os quartos, muitas vezes, são no meio da mata. Se com a capacidade máxima o espaço é confortável, com a metade então torna-se ainda maior”, exemplifica Rodrigo. Na sua propriedade, por exemplo, com capacidade para receber 1.200 hóspedes, apenas 600 são admitidos agora. O restaurante é em uma área aberta e a metade das mesas foram retiradas. A maior parte das atividades de lazer está em uma área descampada.

Mantendo as atividades recreativas, o Parque do Avestruz em Esmeraldas, na região metropolitana de BH, apostou até nas noites juninas, aos sábados no mês de junho. Para garantir a segurança dos hóspedes, nada de fogueiras e quitutes embalados individualmente. Cada um na sua mesa, respeitando a distância de segurança e o calor do ambiente fica por conta da música boa, que invade o salão. “Tudo foi muito bem pensado para manter a segurança de todos. Investimos em melhorias e contamos até mesmo com áreas com internet caso os pais necessitem trabalhar em home office ou as crianças precisem ter aulas online. As tarifas de julho são as mesmas praticadas na alta temporada e a procura tem sido alta”, conta Fabiana Silveira, diretora comercial do Parque do Avestruz.

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Apostando nos pacotes do fim de semana, o Hotel Fazenda Fonte Limpa já tem fila de espera para lá de julho. Por lá, piscina e atividades com cavalos estão liberadas, em número limitado de pessoas e com distanciamento social. Refeições são servidas no sistema à la carte. “A gente tem uma ficha de check-in em que perguntamos ao hóspede sobre seu estado de saúde. Infelizmente não estamos aceitando profissionais de saúde e pessoas que tiveram contato com infectados com a Covid-19. Esperamos muito em breve poder atender a todos”, afirma Bruno Nogueira, proprietário do estabelecimento. As portas do seu estabelecimento foram reabertas no último dia 1º.

Regras

O processo que garante o funcionamento dos hotéis fazenda em Minas Gerais depende dos decretos municipais, que são os que estabelecem quais atividades podem ficar abertas conforme aumento ou redução do contágio de Covid-19. Redução da capacidade, uso de álcool em gel e máscaras estão inclusos em todos as normas das cidades em que funcionamento é autorizado.

Campanha vai promover destino Minas Gerais

Para promover o turismo e garantir que o setor não amargue um prejuízo ainda maior em meio a pandemia, a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo vai trabalhar no sentido de promover o destino Minas Gerais aos mineiros, tentando fortalecer o trade hoteleiro.

“Vamos trabalhar no sentido do desejo do mineiro reencontrar sua própria terra. E vamos trabalhar para o turista conhecer essa oferta de serviços, que aí não é com a gente, é com o operador que é privado para ele poder ofertar de forma mais ampla. Estamos em uma fase que precisamos alinhar cada dia o que está acontecendo e muda muito rápido. Mas nesse primeiro momento precisamos mostrar ao mineiro que ele precisa conhecer Minas Gerais”, garantiu a subsecretária da pasta Mariana Pacheco Simião.

Para atrair os turistas, a Amihla vai criar nos próximos dias o cartão fidelidade. A intenção é que o turista vá recebendo descontos a medida que for se hospedando em estabelecimentos credenciados.

Convivência fora dos grandes centros pode aliviar estresse da pandemia

Fugir das aglomerações nos grandes centros urbanos pode reduzir a disseminação e o contágio do coronavírus. Mas, para garantir que a viagem seja segura, alerta o médico infectologista Leandro Curi, é preciso estabelecer protocolos seguros. “Fugir dos grandes centros é um ponto positivo. Mas quando foi estar em um hotel fazenda, por exemplo, é preciso continuar fugindo das aglomerações. Nada de ficar grudado no hall de entrada ou fazendo festa em salões de jogos”, alerta.

Ele explica que além dos cuidados com higienização, o uso da máscara, ainda que no meio do mato, é necessário. “É claro que se a pessoa for fazer uma caminhada sozinha na mata não precisa usar máscaras, mas no convívio com outras pessoas ela é uma barreira fundamental. Em superfícies de contato, como mesas de vidro, por exemplo, o coronavírus pode sobreviver por até três dias, então os cuidados básicos com o vírus não podem relaxar”, finaliza.

Normas

Veja determinações propostas para reabertura dos hotéis fazenda pela Amihla*

Usar máscara de pano nos ambientes de circulação comum;

Providenciar cartazes informativos/ ilustrativos sobre as medidas preventivas de contágio da Covid- 19 na recepção, áreas comuns, dentro dos elevadores e em cada quarto;

Manter distância mínima de 2 metros das demais pessoas.

Classificação de perfil dos hóspedes:

 Grupo 1: pertencentes aos grupos de risco

Grupo 2: profissionais de saúde e pessoas em contato com indivíduos com diagnóstico confirmado de Covid-19

Grupo 3: pessoas suspeita ou diagnóstico confirmado de Covid-19

Grupo 4: demais hóspedes

Cada estabelecimento deve ser responsável por hospedar um público específico, não podendo o mesmo hospedar pessoas do grupo 1 ou do grupo 4 com hóspedes classificados nos grupos 2 e 3.

Limpeza

A dos quartos, por exemplo, devem acontecer em horários determinados,  realocando os hóspedes para outros locais (quarto higienizado ou área aberta, com ventilação com 1 hóspede por até dois metros quadrados).

Realizar a limpeza de todos os ambientes (áreas comuns, quartos e outros) com solução desinfetante regularmente, utilizando-se produtos à base de cloro, como o hipoclorito de sódio a 1%, álcool líquido a 70% ou outro desinfetante (ácido peracético ou peróxido de hidrogênio).

Refeições

Devem ser fornecidas individualmente.  Para isso sugere-se o serviço de quarto (room service) ou o restaurante do hotel.

 Para a utilização do restaurante recomenda-se o distanciamento mínimo de 2 metros (de cada lado), entre as mesas, para evitar aglomerações.

 O serviço das refeições, deve ser empratado ou individualizado.

Lazer

Priorizar as atividades ao ar livre.

 Não é recomendando a utilização da sauna, jacuzzi, sala de jogos e brinquedoteca.

 Piscina pode ser utilizada, desde que respeitada a regra de distanciamento social, para as pessoas e dos mobiliários (mesa, cadeira, espreguiçadeira).

Fornecer a toalha de piscina, individualmente embalada e lacrada.

 Disponibilizar álcool 70 % (líquido ou gel) e pano de limpeza descartável para que o hóspede, caso queira, faça a higienização das cadeiras , mesas e espreguiçadeiras .

Equipe de recreação deve realizar as atividades ao ar livre ou espaço amplo, respeitando o distanciamento social e com grupos menores de crianças.

Se o hóspede tiver suspeita de Covid-19

Se for um hóspede com diagnóstico confirmado para Covid-19, deverá permanecer no quarto até o cumprimento dos 14 dias ou até a completa melhora dos sintomas.

Cuidado com os funcionários

Os funcionários são orientados que ao final de suas atividades, os utensílios utilizados na limpeza e desinfecção dos quartos e demais ambientes do hotel, bem como as luvas de borracha devem ser limpos e desinfetados com desinfetante a base de cloro ou outro desinfetante para essa finalidade, desde que seja regularizado junto à Anvisa.

 

*Documento foi feito conforme programa Minas Consciente. É recomendado que cada estabelecimento siga as normas do seu município.

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