Quarta, 21 de Outubro de 2020
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Economia Alta de preços

Inflação em alta e economia parada ligam alerta para eventual descontrole

Preço médio do tomate comum foi dos que mais subiram em BH, entre início de agosto e semana passada: quilo passou de R$ 2,92 para R$ 5,34 (83%)

14/10/2020 11h15
Por: Redação Fonte: Hoje em Dia
Foto: Lucas Prates
Foto: Lucas Prates

Ainda sob efeito dos impactos econômicos da pandemia, com alto desemprego e renda da população em baixa, o país teme um novo fantasma, que já poderia estar à espreita. Tem relação com o preocupante retorno da inflação, acelerada nos últimos meses – o IPCA em setembro, por exemplo, ficou em 0,64%, maior para o mês desde 2003, segundo o IBGE. Trata-se de um possível quadro de “estagflação” (mistura entre economia estagnada e alta descontrolada de preços), termo que tem aparecido cada vez mais em análises sobre a conjuntura nacional.

Por enquanto, o “dragão” inflacionário tem sido visto, principalmente, no setor de bebidas e alimentos, que sobem de preço, segundo especialistas, em razão de fatores distintos, como o dólar em alta, o que beneficia as exportações e seduz os produtores, o consumo interno crescente e a desarticulação de cadeias produtivas, devido à crise da Covid-19. 

Pesquisa divulgada ontem pelo site MercadoMineiro, feita entre 4 e 6 deste mês em 17 sacolões da capital, comprova a elevação exagerada de alguns desses produtos. De acordo com o coordenador do site, Feliciano Abreu, desde agosto houve itens que encareceram, em média, mais de 100% na cidade. Foi o caso do repolho, que saltou de R$ 1,38, o quilo, para R$ 2,87. “O aumento do tomate comum também foi assustador. Custava em média R$ 2,92 e subiu pra R$ 5,34, ou 83% mais caro”, afirma ele, lembrando que as variações de preços entre sacolões também foram gigantes, passando de 200% em alguns casos (como o da banana caturra, com 234% de diferença). 

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A lista dos demais alimentos cujos preços médios dão calafrios no consumidor é ampla: tem legumes como cenoura (17%) e inhame (19,72%) e frutas como o abacate (50%), o limão tahiti (46,5%) e de novo a caturra (30%). E inclui ainda vilões recentes que, embora com elevações menores entre setembro e outubro, vinham de altas absurdas em agosto: o arroz, cujo pacote de 5kg passou de R$ 22,43 para R$ 23,50 (4,76%), e o óleo de soja, com subida de 6,42%.

“Há preços aumentando em cenário de elevação do desemprego, mas é preciso esperar para saber o que isso vai provocar” 

Mafalda Valente
Professora de economia da Faculdade Promove

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Para o economista Eduardo Coutinho, embora a escalada da inflação seja mais um efeito da pandemia, ainda não se pode prever um descontrole, o que justificaria o temor da “estagflação”. “A subida de alimentos e bebidas, que mais puxaram o IPCA em setembro, não é surpresa. E é preciso lembrar que a inflação ainda está abaixo da meta para o ano, de 4%”, afirma. “É ruim, mas, a princípio, não há motivos para nos preocuparmos com uma alta generalizada e descontrolada de preços”. 

A professora dos cursos de Administração e Gestão da Faculdade Promove, Mafalda Ruivo Valente, pensa parecido. Apesar de admitir o risco de uma “estagflação”, ela diz que ainda é cedo para desenhar tal cenário. “Estamos em uma crise grave que ainda deve se estender. No momento, Há preços aumentando em cenário de elevação do desemprego, mas é preciso esperar para saber o que isso vai provocar. Neste fim de ano, por exemplo, devemos ter aquecimento de produção e consumo, o que equilibra um pouco a economia”.

Custo de vida para idosos tem alta superior à do índice geral 

O Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC-3i), que mede a variação da cesta de consumo de famílias majoritariamente compostas por indivíduos com mais de 60 anos de idade, registrou no terceiro trimestre de 2020, variação de 1,93%. Em 12 meses, o IPC-3i acumula alta de 4,00%. Com o resultado, a variação do indicador ficou acima da taxa acumulada pelo IPC-BR, que foi de 3,62%, no mesmo período.

Na passagem do segundo trimestre de 2020 para o terceiro trimestre de 2020, a taxa do IPC-3i registrou acréscimo de 1,96 ponto percentual, passando de -0,03% para 1,93%. Cinco das oito classes de despesa componentes do índice registraram acréscimo em suas taxas de variação. A principal contribuição partiu do grupo Transportes, cuja taxa passou de -2,93% para 2,89%. 

O item que mais influenciou o comportamento desta classe de despesa foi gasolina, que variou 8,64% no trimestre, ante -10,55%, no anterior. Em contrapartida, Saúde e Cuidados Pessoais (0,90% para 0,44%) e Vestuário (-0,44% para -0,73%) apresentaram recuos.

 

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