Quarta, 27 de Janeiro de 2021
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Política Posse de vereadores

Caso repita, terei que ir à delegacia, diz Duda ao ser ignorada por colega

Transexual, pedetista não foi citada por Wesley Autoescola como vereadora mais votada; ele preferiu parabenizar Professora Marli

02/01/2021 09h52
Por: Redação Fonte: Mega Cidade com Estado de Minas
Duda foi eleita com 37.613 votos (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D. A. Press)
Duda foi eleita com 37.613 votos (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D. A. Press)

Durante a posse dos vereadores de Belo Horizonte para os próximos quatro anos, nesta sexta-feira (01/01), Wesley Autoescola (Pros) foi parabenizar a parlamentar mais votada, mas citou Professora Marli (PP). Campeã de votos, com 37.613, Duda Salabert (PDT), que é transexual, foi ignorada por ele.

A declaração de Wesley ocorreu enquanto os eleitos se revezavam ao microfone do plenário. Depois, Duda chegou a protestar sobre o tema. Em entrevista, ela criticou a atitude do colega. 

 

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“Vim aqui para discutir política, projetos de emprego, renda, moradia e saúde para Belo Horizonte. Episódios transfóbicos, como o ocorrido aqui, a gente resolve fora da Câmara, indo à delegacia e fazendo denúncia para que ele seja preso, caso se configure, de fato, como transfobia”, disse.

 

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A pedetista afirmou que, se o colega repetir atitudes do tipo, precisará acionar a polícia. “Costumo dar uma segunda chance a todo mundo. Caso ele repita isso — como sou professora, de forma pedagógica e educativa — entendo que terei de ir à delegacia cumprir meu papel de cidadã, para que ele seja responsável pelas consequências”, completou.

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Citada por Wesley Autoescola, Professora Marli foi a terceira no ranking geral, com 14.496 votos, abaixo de Nikolas Ferreira (PRTB).  

Duda fala em representatividade

Durante seu primeiro discurso como vereadora, Duda enalteceu a representatividade que carrega consigo. Ela celebrou a presença de uma transexual no poder Legislativo belo-horizontino. 

 

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“Faço parte de um grupo em que 90% estão na prostituição, pois foram expulsas do mercado de trabalho”, sustentou. “Faço parte de um grupo cuja humanidade é negada. Nem direito a banheiro, nome e identidade nos dão. O STF está há seis anos discutindo qual banheiro vou usar. Isso é humilhante”, continuou a parlamentar, que é evangélica, em outra parte da fala.

 

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Vereador comemora derrota de pautas ‘ideológicas’

Wesley Autoescola, por sua vez, discursou comemorando o fato de a Câmara não ter aprovado, nos quatro anos que se passaram, projetos classificados por ele como “ideológicos”.

 

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"Não posso ser criminalizado em expor um pensamento que tenho como verdade. Da mesma forma que, se eu falar daquilo que é verdade para mim e entender que isso é um crime de fobia, ela estaria sendo incriminada, talvez, por 'evangéliofobia', 'cristofobia' ou 'conservadorismofobia'", respondeu. A todo momento, Wesley fazia menções à pedetista por meio de termos masculinos.

 

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Presidente da Frente Cristã da Câmara de BH, ele se diz conservador. "Sou evangélico desde o berço e filho de pastor. A bandeira que carrego é das ideologias conservadoras. Quero ter a Bíblia como minha regra de fé e prática. É algo de que a gente não consegue abrir mão”, falou, ao Estado de Minas, na série de entrevistas com os integrantes da nova composição do Parlamento.

 

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Wesley foi um dos autores do requerimento que pedia aplausos ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) por suposta “atuação exemplar e valorosa” ante a pandemia do novo coronavírus.

 

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