O preço da carne de boi apresentou uma pequena queda nos últimos 21 dias na Grande BH, segundo pesquisa do Mercado Mineiro. O economista e diretor da entidade, Feliciano Abreu, explicou que a redução não significa que a carne está barata – mas a mudança continua sendo importante. O quilo da fraldinha, por exemplo, caiu em quase 2% nas últimas três semanas.
“É uma redução pequena, mas é uma redução importante. Na verdade, quando falamos que o preço caiu, o consumidor já acha que está barato. Não quer dizer que está barato, quer dizer que caiu em relação a 21 dias atrás”, reforça o economista. Segundo a pesquisa, as carnes continuam caras, mas os preços estão caindo em referência a três semanas atrás.
O quilo do acém foi de R$ 31,46 para R$ 30,86 – uma redução de 1.92%. Já o quilo da chã de fora (coxão duro) caiu de R$ 38,41 para R$ 37,86, o que representa uma queda de 1,43%; a fraldinha caiu de R$ 36,35 para R$ 35,64 – redução de 1,95% – e o quilo do contrafilé foi de R$46, 22 para R$45,65 – 1,23% mais barato.
A redução nos preços se explica pela queda nas exportações para a China e pela diminuição do consumo de carne da população. “Devido àquele evento da vaca louca que a gente teve isso”, diz Feliciano Abreu, mencionando os casos, registrados no último mês, do “mal da vaca louca” – uma doença cerebral em bovinos adultos que pode ser transmitida aos seres humanos por carne contaminada. A identificação dos casos levou ao embargo às exportações.
A diminuição no consumo de carne, o menor em 25 anos no país, também explica a queda nos preços. “Chega um ponto que os preços batem no teto e o consumidor não consegue consumir mais. O dono do açougue não vai ficar comprando do frigorífico para sobrar na loja – aí começa a cair o preço”, explica o presidente da entidade, que também complementa: “Não tem a demanda para suprimir a oferta”.
“Foram quedas em todos os cortes, a gente deve comemorar, mas estar sempre atento à mudança de preço, não adianta comprar a carne sem pesquisar”, orienta o economista. Também houve registro de estabilidade nos preços das carnes suínas e de frango. O quilo do pernil sem osso caiu 0,41%, passando de R$19,21 para R$19,13.
Já a bisteca subiu 0,57%, de R$ 19,09 para R$ 19,20. O quilo da costelinha aumentou 0,91%, de R$ 22,64 para R$ 22,85, enquanto o da salsicha apresentou a maior elevação: subiu de R$ 11,01 para R$ 11,16 – um aumento de 1,40%. “O suíno está estabilizado, mas teve queda significa no preço anterior”, analisa Feliciano.
Já o preço médio do frango está alto e estável. “O frango estava subindo muito, aí essa última pesquisa mostrou certa estabilidade, tem coisa caindo, subindo…”, completa. A coxa e sobrecoxa, por exemplo, passaram de R$ 12,86 o quilo para R$ 12,94, um aumento de 0,59%.
A carne de peixe foi incluída na pesquisa, mas ainda está muito distante da realidade do consumidor em Minas Gerais, segundo o diretor do Mercado Mineiro. “A gente até colocou peixes nessa pesquisa, para tentar de alguma forma ter uma opção como sardinha, mas ainda é muito distante do mineiro. O peixe é muito caro para a gente”, destaca.
“Tirando sardinha, filé de merluza, que esse vende muito em supermercado hoje. Fora isso, peixe não é a saída para o bolso”, esclarece. “Infelizmente, Minas sempre teve pescados mais caros que as cidades litorâneas”, pontua o presidente.
Apesar da leve queda na carne de boi e estabilidade nos demais tipos, os preços de carne ainda são alarmantes, conforme avalia Feliciano Abreu: “Hoje, o consumidor, se está consumindo, está consumindo frango, salsicha”.
O economista destaca ainda que os preços estão muito distantes do poder econômico da maioria da população. “Quando cai o consumo, ficamos preocupados. A classe C, D, eles não estão se tornando vegetarianos, eles deixam de comer [carne] por falta de dinheiro”, complementa.
Segundo Feliciano, mesmo se os preços voltassem ao patamar de janeiro de 2020, o consumidor ainda não conseguiria consumir carne da mesma forma. “Se você pegar o preço de janeiro de 2020, antes da pandemia, se a gente piscasse os olhos e o preço voltasse, mesmo assim teríamos queda na demanda da carne porque a situação econômica da população hoje é muito grave”, lamenta.
“As pessoas estão muito sem dinheiro e naquela época, em tempos normais, o preço já estava caro, imagina agora”, observa o economista.

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