
O apresentador Carlos Massa, o Ratinho, passou a ser alvo de investigação e de uma ação judicial após declarações feitas durante seu programa no SBT envolvendo a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) e mulheres trans. A parlamentar levou o caso ao Ministério Público de São Paulo, pedindo que o episódio seja analisado como possível prática de transfobia e violência política de gênero.
As falas ocorreram na edição exibida na quarta-feira (11), quando Ratinho comentava a eleição de Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. Durante o programa, o apresentador questionou a escolha da deputada para o cargo e afirmou que, em sua opinião, “para ser mulher tem que ter útero e menstruar”.
Após a repercussão, a deputada apresentou representação ao Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância do Ministério Público paulista, solicitando a abertura de inquérito policial. No pedido, ela aponta a possibilidade de enquadramento das declarações como transfobia, injúria transfóbica e violência política de gênero, crimes que podem resultar em penas de até seis anos de prisão, dependendo da tipificação.
Segundo Erika Hilton, as declarações ultrapassaram o campo da crítica política e atingiram diretamente sua identidade de gênero. A parlamentar argumenta que a fala, por ter sido transmitida em rede nacional, pode incentivar discursos de ódio e ampliar a hostilidade contra pessoas trans.
Além da representação criminal, a deputada informou nas redes sociais que também iniciou medidas judiciais na esfera cível contra o apresentador.
O caso também chegou ao Ministério das Comunicações. Hilton solicitou à pasta a suspensão do “Programa do Ratinho” por 30 dias. O ministério confirmou o recebimento do pedido e informou que a solicitação será analisada pela Secretaria de Radiodifusão, responsável por avaliar possíveis medidas administrativas.
Em nota, o SBT declarou repudiar qualquer forma de discriminação e afirmou que as declarações feitas pelo apresentador não representam a posição oficial da emissora. A empresa informou ainda que o episódio está sendo analisado internamente.
A controvérsia ocorreu logo após a eleição de Erika Hilton para comandar a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara. A escolha aconteceu após acordo entre partidos para divisão das presidências dos colegiados. A votação terminou com 11 votos favoráveis e 10 votos em branco, interpretados como protesto de parlamentares contrárias à indicação.
Durante a sessão, algumas deputadas criticaram a escolha, alegando que uma mulher trans não representaria as experiências de mulheres cisgênero. Outras parlamentares, no entanto, defenderam a legitimidade da eleição.
Após assumir o cargo, Erika Hilton afirmou que pretende conduzir os trabalhos da comissão com foco em políticas públicas de proteção às mulheres e no combate à violência de gênero, incluindo a discussão de direitos voltados às mulheres trans.
GOLEIRO BRUNO Disque Denúncia divulga cartaz de foragido do goleiro Bruno e pede informações sobre paradeiro
ESCLARECIMENTO Colégio Batista desmente boato sobre sequestro de aluno em Sete Lagoas
ALERTA Polícia desmente boato sobre suposta tentativa de sequestro em escola de Sete Lagoas Mín. 19° Máx. 26°


