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Saúde Defesa da vacina

De verde e amarelo, mulher se ‘infiltra’ em ato bolsonarista e discursa: ‘Tomem vacina’

Suzi é técnica em enfermagem e decidiu agir ao ouvir discurso contra a vacina

23/11/2021 14h44
Por: Redação Fonte: Mega Cidade com BHAZ
Suzi é técnica em enfermagem e decidiu agir ao ouvir discurso contra a vacina. (Reprodução/@matheusdevdd/Twitter + Suzi dos Santos/Arquivo Pessoal)
Suzi é técnica em enfermagem e decidiu agir ao ouvir discurso contra a vacina. (Reprodução/@matheusdevdd/Twitter + Suzi dos Santos/Arquivo Pessoal)

A técnica em enfermagem Suzi Mirian dos Santos, de 55 anos, pode ser considerada por muitos uma mulher corajosa. Corajosa até demais, diriam outros. Fato é que, deixando de lado adjetivos, ela é uma defensora da saúde pública e luta de fato contra a desinformação. Tanto que, no último domingo (21), decidiu agir após passar praticamente um ano ouvindo discursos contra o uso de máscara e contra a vacinação durante atos que acontecem na porta de sua casa, em uma conhecida praça de Santos (SP).

A moradora do litoral paulista decidiu assumir – de forma pacífica – o microfone de manifestantes bolsonaristas para discursar contra o negacionismo e… conseguiu! De camisa verde e chinelos amarelos, Suzi confundiu os participantes de um ato, apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). “Foi uma coincidência eu estar vestida com as cores, só que acabou ajudando, porque me passaram o microfone quando pedi para falar, sem resistência”, conta a técnica em enfermagem.

Suzi contou à reportagem que ia a uma farmácia perto de casa quando notou a movimentação na praça. Ao ouvir mais um dos discursos negacionistas, quis conversar com os manifestantes presentes. “Uma mulher se identificou como médica e começou a falar uma mistureba de coisas: ‘Não é para tomar vacina. Vocês conhecem alguém que morreu de Covid? Porque é mentira’. Vi que tinha pouca gente, então dava para chegar mais perto, só dei uma volta e aproximei. Quando me viram com camisa verde, chinelos amarelos e pedindo para falar, aplaudiram e me deram o microfone”, detalha.

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Aí Suzi discursou. E não foi só isso! Ela chamou a atenção de quem passava pelo local, foi aplaudida por muitos pedestres, vaiada pelos manifestantes, gravada por câmeras de celulares e, assim, viralizou no Twitter. O vídeo publicado no perfil do filho dela alcançou 390 mil visualizações na noite desta segunda-feira (22).

“Eu não quero saber em quem votaram. Eu sou a favor da máscara. Ele [um manifestante] perguntou quem viu alguém morrer de Covid. Eu vi vários colegas meus, eu trabalho na Saúde, eu fiquei 21 dias na UTI com edema pulmonar. Quando o seu direito de tirar a máscara compromete a vida dos outros, você tá errado. Não importa quem está roubando, isso é uma investigação à parte. Na nossa saúde, foram mais de 600 mil mortes. Eu conheço sim [pessoas que morreram] e eu me sinto ofendida como profissional de saúde quando desmentem a gravidade do Covid. Quando as pessoas vêm aqui e fazem piadas homofóbicas, elas estão ofendendo muita gente. Não quer tomar vacina? Coloca minha vida, a dele, a de todo mundo em risco. Se é democracia, me deixa falar”, disse Suzi com microfone na mão. Veja o vídeo:

Suzi conta que retiraram o microfone de suas mãos com o avanço de seu discurso. Em seguida, ela saiu do local tranquilamente. “Falei de uma forma técnica, falei da minha vivência como profissional de saúde, dos meus colegas na linha de frente. Foquei no risco que esses discursos representam para a gente, cientificamente. Não tinham motivo para serem agressivos comigo, ainda assim fiquei apreensiva”, conta.

“Eu estava entalada, queria falar. Já faz mais de um ano que ouço isso da janela da minha casa. Fui lá falar como mãe, como profissional de saúde, como uma pessoa que sente por aqueles que perderam familiares”, conclui Suzi.

A técnica de enfermagem ficou surpresa com a repercussão do vídeo: “Imaginei que as pessoas que me conhecem iam compartilhar, mas tem comentários de todo o Brasil. Foi viralizando, viralizando”.

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