
O cenário de destruição protagonizado por vândalos golpistas na Praça dos Três Poderes em Brasília em 8 de janeiro ainda ecoam de forma nítida pelos prédios da capital federal e as articulações políticas e escândalos desvelados nos últimos dias levam a crer que o tema seguirá no centro da pauta política do país por tempo indefinido. Com promessa de travar votações no Congresso, parlamentares bolsonaristas começaram a última semana tentando forçar a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar os atos antidemocráticos.
Depois da divulgação de novas imagens de segurança do Palácio do Planalto no dia dos ataques, da queda de um general escolhido por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a segurança institucional e da guinada da bancada governista em favor da comissão, a tendência é que ela seja aprovada nos próximos dias. O Estado de Minas conversou com pesquisadores políticos para entender o que está em jogo para situação e oposição diante do cenário que se apresenta.
Palco Midiático
Para o professor e pesquisador da UFMG e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT.DD) Camilo Aggio, o governo teve receio inicial de apoiar a CPMI por que comissões dessa natureza têm a característica de serem aproveitadas como palco midiático para parlamentares e de difícil controle para o Executivo.
“Qualquer CPI torna-se um grande teatro midiático. Talvez seja o recurso político mais valioso para o parlamento conseguir capturar a agenda da cobertura política. Tudo o que o bolsonarismo quer é justamente um palco para fazer avançar a narrativa de que eles são os maiores prejudicados e as maiores vítimas, que houve uma farsa para acusar bolsonaristas pelos atos de 8 de janeiro. O que eles fazem de melhor é gerar uma poluição na esfera pública. Com a atenção pública voltada para uma CPI dessas, eles vão conseguir alimentar os ambientes digitais. Mais do que manipular a população, eles trabalham para gerar essa confusão na opinião pública”, analisa.

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