

O cineasta Marco Antonio Pereira, natural de Cordisburgo, conquistou mais um importante reconhecimento no cinema brasileiro com o longa-metragem “Paisagem de Inverno”, atualmente em fase de finalização. O filme foi vencedor do Prêmio Sesc em Minas, na categoria Work in Progress (WIP) - Corte Final, durante o Conexão CineMundi, realizado dentro da programação da Mostra de Cinema de Tiradentes, um dos principais eventos do audiovisual contemporâneo no país.
A premiação foi entregue durante a cerimônia de encerramento da Mostra, no dia 31 de janeiro, pelo Sistema Fecomércio MG, por meio do Sesc em Minas. A categoria contempla longas-metragens brasileiros em processo de finalização, com foco na ampliação da visibilidade das obras e na aproximação com o mercado cinematográfico.

Produzido pelas empresas Abdução Filmes e Quarta-Feira Filmes, “Paisagem de Inverno” já acumula cinco prêmios nacionais e internacionais antes mesmo de sua estreia oficial. Em 2024, o projeto foi destaque no Cine en Construction, em Toulouse, na França, onde recebeu três premiações.
Em uma das justificativas, o júri destacou a capacidade do filme de abordar uma realidade local com alcance universal, ao retratar um Brasil pouco representado, projetando futuro e existência para uma comunidade ameaçada pela exploração de recursos naturais, além de ressaltar a força do olhar autoral do diretor.
Conhecido por desenvolver trabalhos fora dos grandes centros urbanos, Marco Antonio mantém a proposta de filmar “fora do eixo”. Após levar o nome de Cordisburgo a festivais nacionais e internacionais com seus curtas-metragens - que renderam cinco Kikitos no Festival de Gramado -, o diretor escolheu o Vale do Jequitinhonha como cenário de seu primeiro longa.
A obra constrói uma narrativa sensível a partir da relação com o território e seus moradores, acompanhando uma família real transformada em ficção. O filme mistura elementos de realidade, fantasia e absurdo, marcas recorrentes da linguagem cinematográfica do diretor.
Outro aspecto que chama atenção é a escolha do elenco protagonista: uma atriz tetraplégica de oito anos e uma senhora de 95 anos, rompendo padrões tradicionais de representação no cinema. A proposta revela um Brasil profundo, atravessado por afetos, migrações e conflitos familiares, retratado com delicadeza e sem recorrer a estereótipos.
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