
A acantose nigricans é uma doença caracterizada pelo escurecimento da pele das dobras do corpo e pregas cutâneas, que se torna espessa e aveludada devido a alterações na formação da camada mais superficial da pele, a epiderme.
A doença pode afetar pessoas saudáveis ou pode estar associada a outros problemas de saúde. Alguns casos são herdados geneticamente e é mais comum a ocorrência entre pessoas de pele com coloração mais escura.
A obesidade, pode levar ao surgimento da acantose nigricans, assim como outros distúrbios endócrinos. A doença é associada à presença de resistência insulínica, principalmente quando ocorre em crianças e jovens, e é freqüentemente encontrada em pessoas com diabetes. O aumento da insulina no sangue é considerado um dos fatores que poderiam alterar o crescimento das células epidérmicas dando origem às lesões.
A transpiração e a fricção também poderiam contribuir de alguma forma para o surgimento da acantose nigricans, como sugerido pelo fato das áreas mais afetadas serem as de dobra da pele (pescoço, axilas, virilhas…).
Alguns medicamentos, como a insulina, o hormônio do crescimento, corticosteróides ou os contraceptivos orais (pílula) também são citados como possíveis causas para o surgimento da acantose nigricans, que poderia regredir algumas semanas após a sua suspensão.
Casos graves podem estar relacionados à ocorrência de neoplasias malignas, mais comumente do trato gastrointestinal ou genitourinário, mas sua ocorrência é mais rara.
Manifestações clínicas da acantose nigricans
A acantose nigricans evolui lentamente provocando o escurecimento progressivo das áreas afetadas e as lesões não costumam ser acompanhadas de qualquer outro sintoma. Raramente, alguns pacientes referem prurido (coceira) discreto.
Os locais mais atingidos são as axilas, virilhas e pescoço, onde formam-se áreas de pele escurecida, espessada, com a superfície rugosa e vincada, conferindo um aspecto aveludado ou áspero. Acrocórdons ou fibromas moles são comumente encontrados nas áreas afetadas, como pode ser visto na foto abaixo, à direita.
Ocasionalmente, lesões de acantose nigricans podem ser encontradas nos lábios, mucosa oral e nasal, aréola mamária ou outras áreas da pele. Quando está associada a malignidades internas, a doença pode apresentar aparecimento mais abrupto e se manifestar de forma mais exuberante.
Uma apresentação denominada acantose nigricans acral ocorre em pessoas sem quaisquer outras doenças ou sintomas associados, formando as características placas ásperas ou aveludadas e escurecidas nas mãos e nos pés, sendo mais proeminentes na pele sobre as articulações dos dedos.
Tratamento
O principal objetivo do tratamento é encontrar e corrigir o processo subjacente (obesidade, alterações endócrinas, uso de medicamentos, etc.) que está provocando as lesões. Se isso for feito, as lesões tendem a desaparecer gradativamente.
Quando há suspeita de acantose nigricans maligna, investigações para detectar a possível presença de uma malignidade interna devem ser realizadas.
Nos casos no quais não se encontra a causa, produtos de uso local com ação queratolítica (que dissolvem a camada córnea), como ácido retinóico, lactato de amônia, uréia ou ácido salicílico são uma opção para a melhora do aspecto das lesões. Podem ser associados a produtos despigmentantes buscando o seu clareamento. As concentrações e forma de uso variam de acordo com cada caso e devem usados de acordo com a prescrição de um médico dermatologista.
Nos casos de pequena extensão, a dermoabrasão e o laser também podem ser considerados como uma opção terapêutica para reduzir a espessura das lesões. Nos casos muito extensos, pode ser considerado o uso de medicação oral e há relatos de benefícios com o uso do etretinato, isotretinoína e metformina.

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