
A 24ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) já está chegando à cidade fluminense, com programação marcada para os dias 22 a 26 de julho. A curadoria desta edição ficou a cargo de Rita Palmeira, que escolheu a poeta Orides Fontela como autora homenageada do evento. Ao todo, a Programação Principal da Flip 2026 reunirá 21 mesas, cada uma batizada com um trecho da poesia de Orides Fontela.
Dentro dessa programação, João Guimarães Rosa desponta como um dos grandes eixos temáticos da festa. A mostra cultural promovida pelo Sesc, paralela à programação principal, é guiada pelo conceito de Veredas: metáfora dos múltiplos caminhos que conectam literatura, cultura, território e transformação social, e dialoga diretamente com duas efemérides: os 80 anos do Sesc e os 70 anos da publicação de "Grande Sertão: Veredas", obra-prima do escritor mineiro que segue influenciando gerações de leitores e escritores em todo o mundo.

Nascido em Cordisburgo, Guimarães Rosa transformou a paisagem, a fala e o imaginário do sertão mineiro em uma das obras mais revolucionárias da língua portuguesa. Sete décadas após seu lançamento, "Grande Sertão: Veredas" continua sendo objeto de estudo, releitura e celebração, e a Flip 2026 dedica uma programação especial para reafirmar essa força.
A programação dedicada ao autor tem início na quinta-feira, dia 23 de julho, com a conferência "70 anos Grande Sertão: Veredas", conduzida pelo escritor Itamar Vieira Junior, autor de "Torto Arado" e vencedor dos prêmios Jabuti, Oceanos e Leya. Geógrafo de formação, Itamar propõe uma reflexão sobre a atualidade e a potência literária da obra, abordando a força inventiva da linguagem rosiana, seus impactos na literatura brasileira e os temas de memória, território, identidade e travessia que atravessam o romance. O encontro acontece no Sesc Santa Rita.
Ainda na quinta-feira o escritor, compositor e performer Fausto Fawcett apresenta "Electro-xamanismo e o algoritmo do pacto nos 70 anos do Grande Sertão", uma palestra-performance que atravessa a obra de Guimarães Rosa ativando a literatura como rito, o som como pensamento e a imagem como expansão crítica. Conhecido por canções como "Kátia Flávia" e "Rio 40 Graus", Fawcett constrói há décadas uma trajetória que une música, teatro e literatura, e promete uma experiência singular sobre o universo rosiano. A apresentação também será no Sesc Santa Rita.
No mesmo dia, é a vez do violeiro, compositor e pesquisador Paulo Freire subir ao palco do Sesc Santa Rita com o espetáculo "Viola, Rosa e Sertão". Freire viveu no sertão do Urucuia, região que inspirou Guimarães Rosa a escrever "Grande Sertão: Veredas", e é hoje uma das principais referências na valorização da música caipira. No espetáculo, ele une literatura, música e memória para compartilhar vivências da lida na roça, descobertas sonoras e o relato do encontro com Miguel Fogoso, capanga do cangaceiro Antônio Dó, um mergulho nas tradições do sertão guiado pelos textos de Rosa.

O universo rosiano também ganha espaço nas rodas de contação de histórias conduzidas pelo narrador Wilson Jequitibá, que leva o público por narrativas inspiradas em "Grande Sertão: Veredas", convidando ouvintes de todas as idades a atravessar paisagens poéticas e simbólicas onde o real e o mítico se entrelaçam. As sessões acontecem na quinta (23/07) e sexta-feira (24/07), celebrando a potência da palavra falada.
A programação dedicada ao autor de Cordisburgo segue até o fim de semana. Na sexta-feira (24/07), na Casa da Leitura e do Conhecimento, acontece o lançamento da biografia de João Guimarães Rosa, escrita por Leonêncio Nossa e lançada pela Editora Nova Fronteira, com bate-papo do autor ao lado de Bruna Lombardi. Já no sábado (25/07), na Casa Estante Virtual, Leonêncio Nossa retorna à programação da Flip para o encontro "Guimarães Rosa: 80 anos de Grande Sertão", com mediação de Tatiany Leite, encerrando o ciclo de homenagens ao escritor mineiro.

A concentração de atividades em torno de Guimarães Rosa na Flip 2026 reforça o lugar que "Grande Sertão: Veredas" ocupa no cânone da literatura brasileira e mundial, sete décadas depois de sua publicação. Para Cordisburgo, terra natal do escritor, a presença central de sua obra em um dos maiores eventos literários do país é motivo de orgulho e reafirma a relevância do legado rosiano: um patrimônio cultural que segue atravessando gerações, disciplinas e fronteiras, assim como o próprio sertão que Rosa transformou em literatura.
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