
A divulgação de um relatório de 218 páginas da Polícia Federal (PF) com mensagens atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, aumentou a pressão sobre a Corte e abriu uma nova frente de discussão no caso envolvendo o Banco Master.
O documento foi divulgado nesta terça-feira (1º), após decisão do ministro André Mendonça, relator do caso no STF. O relatório reúne conversas, registros de encontros e outras informações obtidas durante as investigações relacionadas à Operação Compliance Zero.
Segundo as informações divulgadas sobre o caso, Mendonça comunicou a Moraes que encaminharia os elementos à Procuradoria-Geral da República (PGR). A comunicação teria sido seguida por uma conversa considerada direta e ríspida entre os dois ministros. Interlocutores, porém, negaram que o episódio tenha evoluído para um confronto físico.
Mendonça também comunicou o presidente do Supremo, Edson Fachin, sobre os próximos passos da apuração.
Em sua decisão, o ministro afirmou considerar inevitável que os novos elementos sejam submetidos ao plenário do STF, independentemente da posição que venha a ser apresentada pela PGR.
A eventual análise deverá ocorrer de forma pública e presencial. A data ainda será definida por Fachin.
A situação coloca o Supremo diante de um cenário delicado: os próprios ministros poderão ter de analisar, em plenário, informações relacionadas a um integrante da Corte.
A Polícia Federal destacou que, até o momento, não realizou diligências específicas contra Moraes ou outros ministros. Segundo a corporação, o relatório apenas sistematiza elementos encontrados durante a apreensão de materiais relacionados à Operação Compliance Zero.
Entre os elementos reunidos pela PF estão mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro e direcionadas a um contato identificado como sendo de Alexandre de Moraes.
Em uma conversa de 14 de novembro de 2025, poucos dias antes da prisão do banqueiro, Vorcaro teria enviado uma mensagem demonstrando gratidão ao ministro e afirmando que ele e sua família seriam responsáveis por uma espécie de dívida pessoal.
Outras mensagens analisadas pela PF indicariam que o banqueiro também buscou informações sobre a possibilidade de ser alvo de uma operação policial.
Em 15 de novembro de 2025, Vorcaro teria perguntado se deveria deixar o país. No dia seguinte, voltou a questionar sobre a possibilidade de uma operação ocorrer na manhã seguinte.
O banqueiro foi preso em 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando tentava embarcar em um avião particular com destino a Dubai.
O relatório também apresenta indícios de pelo menos seis encontros entre Vorcaro e Moraes, realizados entre novembro de 2024 e agosto de 2025.
Em uma das situações citadas, ocorrida em março de 2025, um funcionário do banqueiro teria informado que “Min Alexandre chegou”. Na mesma ocasião, Vorcaro teria comunicado a um diretor do Banco Central que estava com Moraes.
O documento também menciona contatos relacionados a compromissos em Londres.
Em uma das conversas, Vorcaro teria relatado que organizava um evento considerado exclusivo e que contaria com a participação de Alexandre de Moraes. As mensagens também tratariam da lista de convidados, programação e composição dos painéis.
A divulgação do relatório ocorreu no mesmo dia em que André Mendonça voltou a defender a criação de um código de conduta para magistrados.
Durante um seminário realizado no STF, o ministro afirmou que regras mais claras poderiam contribuir para preservar a confiança da população nas instituições e estabelecer parâmetros de comportamento para integrantes do Judiciário.
Entre os temas que poderiam ser incluídos estão manifestações públicas de magistrados, participação em eventos patrocinados por entidades privadas e situações envolvendo suspeição.
Edson Fachin também já manifestou apoio à discussão. A proposta, entretanto, enfrenta resistência entre alguns integrantes do Supremo.
A posição de Mendonça é diferente da apresentada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Em manifestação enviada ao Supremo, Gonet defendeu a nulidade e o arquivamento da apuração, argumentando que houve uma tentativa de buscar elementos que pudessem apontar para eventual envolvimento de Moraes em ilícitos.
Para o procurador-geral, Mendonça não deveria conduzir uma investigação pré-processual nem assumir o papel de acusador. Na avaliação de Gonet, diante da possibilidade de envolvimento de uma pessoa com foro por prerrogativa de função, o assunto deveria ter sido encaminhado diretamente ao plenário do Supremo.
A expectativa é de que André Mendonça apresente o relatório aos demais ministros do STF já na próxima semana. A definição da data, entretanto, cabe ao presidente da Corte, Edson Fachin.
O plenário poderá avaliar os novos elementos e decidir os próximos passos do caso, inclusive sobre a possibilidade de uma eventual investigação formal envolvendo Moraes.
É importante destacar que as mensagens e os encontros citados no relatório não comprovam, por si só, a prática de crime ou irregularidade por parte de Alexandre de Moraes. Eventuais responsabilidades ainda dependem da análise dos elementos, das manifestações das partes e das decisões do próprio Supremo.
O caso agora coloca em lados diferentes as interpretações de André Mendonça e da PGR sobre como os novos elementos devem ser tratados. A possível análise pelo plenário do STF passa a ser o próximo capítulo da controvérsia.
SETE LAGOAS Aposta de Sete Lagoas leva mais de R$ 80 mil na quina da Mega-Sena
SETE LAGOAS Quarta-feira começa com chuva fraca e temperatura de 25°C em Sete Lagoas
SETE LAGOAS Família procura cãozinho Jorge que desapareceu no Jardim Arizona, em Sete Lagoas Mín. 17° Máx. 23°
