
Os democratas conquistaram o controle das duas casas do Congresso dos Estados Unidos nas eleições legislativas realizadas na terça-feira (3), impondo uma derrota histórica ao presidente Donald Trump e ao Partido Republicano. O resultado das chamadas midterms, eleições realizadas no meio do mandato presidencial, representa uma mudança importante no cenário político norte-americano e deve dificultar a aprovação das propostas do governo nos próximos dois anos.
A oposição conseguiu vitórias expressivas em estados tradicionalmente republicanos, como Texas, Iowa, Kansas, Ohio, Carolina do Norte e Carolina do Sul. A conquista da maioria no Senado e na Câmara dos Representantes permitirá aos democratas bloquear iniciativas legislativas da Casa Branca, dificultar a aprovação de indicações presidenciais e ampliar a fiscalização sobre o governo.
Os democratas também anunciaram a intenção de abrir investigações sobre Trump, integrantes de sua família e integrantes de sua administração, além de questionar a continuidade do financiamento da guerra no Irã.
Durante a noite eleitoral, Trump reconheceu o resultado e elogiou o desempenho dos adversários em declarações a jornalistas. Em entrevista à Fox News, afirmou que os democratas haviam feito um bom trabalho e reconheceu que a oposição havia lutado de maneira intensa.
Quando as projeções começaram a confirmar a derrota republicana, o presidente procurou se desvincular do resultado e afirmou nas redes sociais que, se seu nome estivesse nas cédulas, os republicanos teriam vencido de maneira expressiva.
Apesar de admitir a derrota, Trump publicou a imagem de um boné vermelho com a palavra "veto", em referência ao poder presidencial de rejeitar projetos de lei aprovados pelo Congresso.
No Texas, o democrata James Talarico conquistou uma vaga no Senado ao derrotar o republicano Ken Paxton. A vitória representa um marco histórico, já que o estado não elegia um senador democrata desde 1988.
Na mesma disputa eleitoral, Gina Hinojosa derrotou o governador republicano Greg Abbott e conquistou o governo do Texas, encerrando décadas de domínio republicano no cargo. Ela será a primeira mulher latina a governar o estado.
No Kansas, Adam Hamilton venceu a disputa pelo Senado e se tornou o primeiro democrata eleito para a Casa desde 1932, encerrando uma sequência de 94 anos sem uma vitória do partido na disputa estadual. Em Iowa, Josh Turek também conquistou uma vaga, tornando-se o primeiro democrata eleito para o Senado pelo estado desde 2008.
Em Michigan, Abdul El-Sayed reivindicou a vitória em uma disputa acirrada. Caso confirmada, sua eleição o tornará o primeiro muçulmano a ocupar uma cadeira no Senado norte-americano.
Na Geórgia, o senador democrata Jon Ossoff conquistou a reeleição. Após a vitória, ele fez um discurso contundente contra Trump e afirmou que os eleitores rejeitaram a corrupção e a incompetência do governo.
A insatisfação com a economia e o aumento do custo de vida estiveram entre os fatores apontados para explicar o resultado eleitoral. Os preços dos combustíveis e dos alimentos, além dos impactos da guerra no Irã, ganharam destaque durante a campanha.
Trump reconheceu que o conflito com o Irã pode ter contribuído para a derrota republicana, embora tenha defendido a atuação militar dos Estados Unidos.
Após a divulgação dos resultados, o principal negociador iraniano nas conversas com Washington, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que os eleitores norte-americanos haviam dado um recado contrário à guerra.
O resultado também mostrou mudanças em regiões tradicionalmente republicanas. Na Flórida, por exemplo, o republicano Byron Donalds foi eleito governador, tornando-se o primeiro homem negro a ocupar o cargo. Apesar da vitória, sua margem foi de aproximadamente 1,5 ponto percentual, bem inferior à vantagem de cerca de 20 pontos obtida por Ron DeSantis na eleição de 2022.
Com a nova maioria na Câmara dos Representantes, Hakeem Jeffries deverá assumir a presidência da Casa. O líder democrata afirmou que o resultado demonstra o enfraquecimento do movimento MAGA, principal base política de Trump, e prometeu uma atuação legislativa concentrada em questões como poder aquisitivo, saúde e custo de vida.
Durante a campanha, eleitores relataram insatisfação com os preços da gasolina, dos alimentos e dos serviços de saúde. Em declarações à agência de notícias AFP, apoiadores democratas destacaram a necessidade de mudanças na política norte-americana e de maior fiscalização sobre o governo.
A retomada do controle das duas casas do Congresso coloca Trump diante de um cenário político mais difícil na segunda metade de seu mandato. Com a oposição em maioria, os democratas terão mais instrumentos para investigar a administração presidencial, barrar propostas e pressionar o governo em temas como economia, política externa e segurança.
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