
As baixas temperaturas lançam um alerta para o risco da pneumonia, enfermidade conhecida, mas muitas vezes de perigo subestimado. Só neste ano, de janeiro a março, 1.267 pessoas morreram após contrair a doença em Minas. A média é 14 óbitos por dia, ou um a cada duas horas.
Os números, da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), tendem a crescer no inverno, considerado o período mais crítico. Em 2017, exatos 8.954 mineiros perderam a vida após ficarem doentes. Como a enfermidade não é de notificação compulsória, o total de casos registrados é desconhecido.
Só em Belo Horizonte, 148 pessoas morreram, conforme levantamento preliminar do primeiro trimestre deste ano feito pela Secretaria Municipal de Saúde. As principais vítimas são os idosos. Na capital, 85% dos óbitos por pneumonia foram de pessoas acima dos 60 anos. No Estado, o índice é de 87% para esta faixa etária.
“O clima frio diminui a imunidade das pessoas, o que já é um risco. E, além disso, alguns hábitos comuns no inverno, como manter os locais fechados e a diminuição da ingestão de líquidos, aumentam os riscos de adquirir a doença”, informa nota enviada pela SES-MG.
Proteção
Pessoas gripadas também precisam estar em alerta. Sem o tratamento adequado, o quadro de saúde pode evoluir para uma pneumonia, o que reforça ainda mais a necessidade de adesão à Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe, iniciada na última segunda-feira.
A recomendação, segundo o pneumologista Mário Freitas Guimarães, é se imunizar contra a gripe e a bactéria pneumococo, uma das principais causadoras da pneumonia.
Nos centros de saúde, crianças de até 1 ano tomam a dose contra a pneumonia gratuitamente. Durante a campanha de vacinação, maiores de 60 anos também são imunizados. Em clínicas particulares, é possível ser vacinado pagando cerca de R$ 270. Na rede pública, são necessárias três doses para garantir a proteção às crianças, e uma no caso dos idosos. Já na particular, as doses são únicas para qualquer faixa etária.
“É preciso se prevenir, principalmente crianças, idosos e pessoas com algum problema grave de saúde. Eles têm imunidade mais baixa e maior predisposição para contrair a doença. Pneumonia, uma vez instalada, demanda cuidado adequado porque pode levar à morte”, reforça Mário Freitas.
Corrida aos postos
Conscientes desses riscos, muitos belo-horizontinos lotam os postos de saúde para participar da campanha de vacinação, que termina em 1° de junho. Foi o caso da dona de casa Elizabeth Novaes, de 75 anos. Ontem, ela foi até uma unidade no bairro São Pedro, região Centro-Sul da capital, para tomar as vacinas contra a gripe e pneumonia. “Nessa idade a gente não pode mais deixar a saúde de lado”, disse Elizabeth Novaes.
Mãe e filha, Ilka Ribeiro de Oliveira, de 90 anos, e Agda Ribeiro de Oliveira, de 65, também foram se proteger. “Temos que nos cuidar enquanto estamos vivas”.
É o que faz o aposentado Wilson Rocha, de 63 anos. Há quase uma década, ele descobriu ter diabetes e ficou mais atento à saúde, comparecendo regularmente ao posto para se vacinar. Em 2017, ele tomou a dose contra a pneumonia, e ontem foi imunizado contra a gripe. “Posso ter complicações sérias se eu adoecer. É melhor não arriscar”, afirma.
Por Tatiana Lagôa e Malú Damázio - hojeemdia

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