
Um caso suspeito de poliomielite na Venezuela despertou a atenção do poder público para o índice de vacinação contra a doença, que pode causar paralisia e foi erradicada no Brasil em 1990. Em Minas, a cobertura não atingiu a meta estabelecida, de 95%, nos dois últimos anos. Até maio de 2018, só 71% das crianças receberam as três doses iniciais. O número preocupa pediatras e infectologistas, já que o vírus causador da enfermidade circula em outros países.
Descuido dos pais, ausência de campanhas de imunização e poucas ações de conscientização podem ter contribuído para o cenário atual. A Secretaria de Estado de Saúde (SES) aponta que o número é baixo e afirma que medidas para garantir a proteção serão intensificadas, como a aplicação da vacina em escolas. O objetivo é atingir mais de 240 mil pessoas até o fim do ano. O último registro de pólio no Estado ocorreu em 1987.
Organização Mundial de Saúde (OMS) descartou a suspeita de poliomielite em uma criança na Venezuela. No entanto, a entidade pede que os países mantenham “forte vigilância” e “alta cobertura de vacinação” para evitar o reaparecimento da doença
Onde
O vírus é endêmico na Nigéria (Afríca) e no Paquistão e Afeganistão (Ásia). Os médicos reforçam que a população só estará protegida se estiver vacinada.
“A única forma de manter a erradicação é imunizando. Sempre há o risco da introdução da doença no país. Se o vírus encontra a população desprotegida, a poliomielite vai voltar, assim como aconteceu nos casos de sarampo, que retornaram neste ano”, explica a pediatra Isabella Ballalai, presidente da Sociedade Brasileira de Imunização (Sbim).
Desconhecidos
A doença, que afeta o sistema nervoso central, pode provocar a paralisia principalmente nos membros inferiores. Como os últimos casos de poliomielite foram registrados há três décadas, muitos não conhecem pessoas que tiveram as sequelas, lembra a pediatra Ivana Moutinho, professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).
“As pessoas não acreditam mais que a doença exista. Muitas crianças ainda deixam de ser vacinadas, sobretudo em locais mais pobres e pequenos. Hoje, há também uma onda de pessoas contrárias a qualquer vacinação, o que aumenta a parcela de vulneráveis”, afirma a especialista.
Vacinação
Diretor da Sociedade Mineira de Infectologia, Carlos Starling é categórico. Para ele, a situação é inadmissível. “Precisamos agilizar e ampliar essa cobertura. Não podemos relaxar com doenças de fácil contágio. É completamente injustificável termos a possibilidade de surto com qualquer doença infecciosa prevenível, já que há um mecanismo tão eficaz de controle como a vacina. E isso tem ocorrido, como estamos acompanhando, com caxumba, sarampo e febre amarela. É preocupante”, observa.
No Brasil
Atualmente, a cobertura vacinal contra a pólio no Brasil é de 77%. Um mutirão nacional de vacinação está previsto para agosto. Em nota, o Ministério da Saúde informou que “não há desmobilização”. Conforme a pasta, atualmente é realizada a campanha nacional de atualização da caderneta, que acontece a cada 12 meses para menores de 15 anos. A imunização está disponível em todos os postos do país.
O Ministério da Saúde também disse que, após a situação ocorrida na Venezuela, enviou nota informativa de alerta para estados e municípios sobre a importância de se alcançar a cobertura vacinal.
Em 1994, o país recebeu da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) a Certificação de Área Livre de Circulação do Poliovírus Selvagem no território.
Por Malú Damázio - hojeemdia

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