
Estoques da vacina contra a meningite C estão zerados em vários centros de saúde de Belo Horizonte. A escassez decorre de problemas no abastecimento da imunização pelo fabricante, a Fundação Ezequiel Dias (Funed), em todo o país. Das 769,3 mil doses solicitadas ao governo federal neste ano, de janeiro a julho, Minas recebeu só 39% delas.
O repasse menor prejudica municípios do Estado, entre eles Belo Horizonte. Ontem, em contato com 11 centros de saúde da capital, nove informaram à equipe de reportagem do Hoje em Dia que não havia mais estoque disponível. Em outros dois, a reserva estava perto do fim.
O problema começou em dezembro de 2017, informou a Funed. O suprimento da vacina teria sido comprometido em função de “intervenções na cadeia produtiva e logística”. O órgão, porém, não detalhou o que teria ocorrido. No fim do ano passado, cerca de 5 milhões de doses teriam sido repassadas com atraso ao Ministério da Saúde.
A promessa do fabricante é de restabelecer os estoques de agosto até dezembro de 2018. Em nota, a fundação disse que, em julho, enviou 1 milhão de frascos à União. Procurado, o Ministério da Saúde não se pronunciou até o fechamento desta edição. Em publicação no site da pasta, afirmou que irá regularizar a situação a partir deste mês em todo o país.
Preocupante
Para a infectologista Tânia Maria Marcial, a falta da imunização por um período prolongado preocupa. Neste ano foram registrados 16 casos de meningite em Minas, com cinco óbitos. A especialista alerta que deixar de vacinar a população contra uma enfermidade altamente contagiosa favorece o aparecimento de surtos. “Não podemos esquecer que estamos falando de uma doença grave, que pode levar à morte”, frisa.
Enquanto as reservas em BH não são regularizadas, a Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) planeja a distribuição de 5,3 mil doses da vacina contra a meningite, recebidas na última quinta-feira, entre os 152 postos da cidade. A quantidade é pouco mais da metade do que é necessário para proteger a população: 10 mil por mês.
A procura pela proteção é intensa, afirmam funcionários dos centros de saúde. “Muitas pessoas têm ligado depois de percorrer vários locais em busca dela”, disse um dos atendentes.
A vacina deve ser tomada por crianças de três e cinco meses. Uma dose de reforço é aplicada quando os meninos e meninas completam 1 ano. Quem não foi imunizado nessas faixas etárias deve fazê-lo até os 4 anos.
Campanha
Começa na próxima segunda-feira a Campanha Nacional de Vacinação contra sarampo e poliomielite. Segundo o Ministério da Saúde, espera-se vacinar em Minas, aproximadamente, 1 milhão de crianças menores de 5 anos.
Por Tatiana Lagôa - hojeemdia

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